quinta-feira, julho 24, 2014

Longlist do Man Booker Prize 2014


Pela primeira vez em sua história o Man Booker Prize considerou não somente autores da comunidade britânica, mas também de outros países, desde que a obra tenha sido escrita em inglês. A "Longlist" deste ano é composta de quatro escritores norte-americanos, um australiano, além de seis britânicos e dois irlandeses.
 
Segue abaixo a relação dos romances selecionados e autores, para maiores detalhes seguir os links para a Organização Man Booker Prize.
 

Os seis finalistas (shortlist) vão ser divulgados em 9 de setembro. O vencedor, que leva 50 mil libras, será conhecido em 14 de outubro.

domingo, julho 13, 2014

Alice Munro - Dear Life

 
Alice Munro - Dear Life - 319 páginas - Editora Vintage International, divisão da Random House - lançamento 2012 (publicado no Brasil pela Companhia das Letras em 2013 como "Vida Querida", tradução de Caetano Galindo - ler aqui um trecho disponibilizado pela editora).
 
Difícil encontrar paralelo na literatura contemporânea para o trabalho da canadense Alice Munro, prêmio Nobel de literatura 2013. Ela já lançou catorze coletâneas de contos, com histórias lentas e ambientadas em cidades do interior do Canadá, inspiradas na vida de gente comum, mas nem por isso de simples entendimento (como a vida nunca é). Na verdade, seus textos são densos, não lineares, com  pouca ação narrativa e foco na construção psicológica dos personagens, normalmente mulheres, que reagem a situações inusitadas. Dear Life, segundo a própria autora declarou, será seu último livro, reunindo alguns contos publicados em revistas literárias especializadas como: Harper´s Magazine, New Yorker e Granta, entre outras. A última parte, chamada "Finale", apresenta quatro narrativas autobiográficas inéditas (segundo a autora, essas histórias são autobiográficas em sentimento, mas não inteiramente de fato). Caso Dear Life seja mesmo seu último livro, podemos afirmar que é um belo final de carreira.
 
O conto de abertura, "To reach Japan" (Que chegue ao Japão) é um bom exemplo do estilo de Alice Munro. Greta é uma mulher casada, com aspirações literárias, que se despede do marido e parte com a filha pequena  em uma viagem de trem noturno para Toronto. Durante a viagem ela tem uma aventura de sexo casual com um estranho e não encontra a filha ao retornar para o seu leito. Munro lida com a tensão entre família, carreira e desejo. Tensão que fica clara em uma carta-poema que a protagonista preparou em um passado recente para um outro desconhecido que ela encontrou em uma festa de uma revista literária: "Writing this letter is like putting a note in a bottle and hoping it will reach japan (Escrever esta carta é como colocar uma nota em uma garrafa e esperar que chegue ao Japão)". Tudo isso em um único conto.
 
Em "In sight of the lake" (Com vista para o lago), a história é desenvolvida com base em outra de suas fixações, a progressiva debilidade humana devido à doença. A protagonista, Nancy, está esquecendo de pequenos eventos cotidianos e marca uma consulta com um médico de uma cidade vizinha. Ela decide viajar um dia antes para não ter dificuldades de encontrar o endereço. Imaginação e realidade se confundem quando a narrativa caminha para um desfecho surpreendente, como todo conto deveria ter.
 
"Night", é um dos quatro contos autobiográficos do final e o seguinte trecho mostra como as guinadas da vida podem acontecer em nossa própria mente, através da loucura: “A ideia estava ali e balançava na minha cabeça. A ideia de que eu podia estrangular a minha irmã mais nova, que dormia na cama embaixo da minha e que eu amava mais do que qualquer pessoa no mundo. Eu podia fazer isso não por ciúme, por maldade, ou por raiva, mas por loucura, que podia estar deitada ali bem do meu lado durante a noite”. Alice Munro, como todo grande autor, nos ensina a riqueza extraordinária de qualquer existência.

quarta-feira, abril 23, 2014

Alison Wright - Face to Face

Face to Face - Portraits of the Human Spirit
A fotógrafa Alison Wright viaja por todo o mundo em busca de imagens que representem as tradições e culturas locais. Com trabalhos constantemente publicados em revistas consagradas como a National Geographic, Smithsonian e Time, ela é uma referência na área de fotojornalismo. O seu último livro Face to Face é focado na diversidade de pessoas e apresenta uma seleção de retratos acumulados ao longo de sua carreira. Para conhecer mais de Alison Wright visite a sua página oficial ou fã page do facebook.

Fotos de Alison Wright

domingo, abril 20, 2014

Yukio Mishima - O Pavilhão Dourado

Yukio Mishima - O Pavilhão Dourado - Editora Companhia das Letras - 279 páginas - Tradução direta do japonês de Shintaro Hayashi - Lançamento no Brasil em 23/06/2010 (Lançamento original em 1956).

Yukio Mishima (1925 - 1970) é um autor que levou ao limite extremo a relação entre literatura e realidade, tendo cometido o suicídio ritual dos samurais, seppuku, conhecido vulgarmente no ocidente como harakiri em uma cerimônia completa que foi concluída com a sua decapitação por um assistente. Ele é consideradojuntamente com Yasunari Kawabata (prêmio Nobel de 1968) e Junichiro Tanizaki, um dos grandes nomes da literatura japonesa moderna e universal. O primeiro sucesso de Yukio Mishima foi "Confissões de uma Máscara", lançado em 1948, romance de teor autobiográfico em que um jovem homossexual precisa se esconder atrás de uma máscara para evitar as cobranças da rígida sociedade japonesa.

O romance "O Pavilhão Dourado" é ambientado na região de Quioto, final da Segunda Guerra Mundial, sendo o Japão da época um país destruído, invadido e derrotado. Este sentimento de fracasso norteia o romance, narrado em primeira pessoa pelo jovem Mizoguchi, órfão de pai e aprendiz de sacerdote, que sofre um complexo de inferioridade insuperável devido à sua fragilidade física e, sobretudo, por ser tímido e gago. Solidão e incompreensão, portanto, marcaram a formação de Mizoguchi, como fica claro no trecho abaixo:
"Ser incompreendido se tornara meu único motivo de orgulho, portanto não me via compelido a desenvolver esforços para ser compreendido. A fatalidade me negara atributos visíveis — eu assim acreditava. Minha solidão engordava dia a dia. Como porco."
Mizoguchi é admitido como ajudante no templo zen Pavilhão Dourado sonhando em um dia tornar-se sacerdote. A admiração que ele sente pela beleza do templo em confronto com os seus próprios defeitos e frustrações, é a porta de entrada do mal em seu coração. Dois personagens incorporam esses extremos em sua formação. O primeiro amigo, Tsurukawa, é honesto, sensível e alegre, representando a beleza da vida. Em contrapartida, o outro amigo, Kashiwagi, é a própria personificação do mal, manco e perverso, se aproxima de Mizoguchi, compartilhando sua filosofia negativa, assim como experiências do mundo material. Mas, é a deficiência que os acaba aproximando:
"Chamava-se Kashiwagi, eu sabia. A característica mais notável de seu aspecto físico eram os pés, retorcidos, voltados para dentro. Tinha um andar elaborado: parecia caminhar eternamente no meio de um lodaçal — trabalhava para soltar um dos pés da lama e o outro se afundava nela. Com isso, o corpo inteiro saltitava, o andar se transformava em uma espécie de dança espalhafatosa e inusitada.

Há uma razão para eu me ter interessado por Kashiwagi desde os primeiros dias na universidade. Sua malformação física me tranquilizava. Desde o início, seus pés tortos manifestavam apoio à minha deficiência."
Um estranho romance psicológico onde a relação não convencional entre beleza e maldade forja o amadurecimento do protagonista que, solitário em seu sofrimento, não consegue evitar o caminho para a própria destruição.

quinta-feira, março 20, 2014

Vencedores do Sony World Photography Awards 2014

Alpay Erdem da Turquia venceu na categoria Open - Smile
Divulgados os vencedores do concurso de fotografias Sony World Photography Awards 2014 para as categorias de amadores: Open, Youth e National Award. A organização avaliou mais de 70.000 inscrições de todo o mundo. A categoria Open foi dividida em dez prêmios diferentes e a imagem acima foi a vencedora da classe Smile. Cada um dos vencedores receberá uma câmara digital A6000 da Sony. Além disso, os fotógrafos terão os seus trabalhos expostos na Somerset House, em Londres, de 1 a 18 de maio, e a imagem vencedora será publicada na edição de 2014 do livro anual da Sony World Photography Awards. Cliquem nas fotos para ampliá-las.

Paulina Metzscher da Alemanha venceu na categoria Youth - Portraits
A categoria Youth foi idealizada para fotógrafos iniciantes com menos de vinte anos e considera três divisões: cultura, meio ambiente e retratos. A foto acima foi tirada durante uma viagem em um trem noturno na China, logo ao amanhecer. Cada vencedor receberá uma câmera digital A5000 da Sony e terá o seu trabalho exposto como parte da exposição da Sony World Photography Awards em Londres, em maio, e publicado no livro anual.

Lise Sundberg da Noruega foi a terceira colocada na categoria National Award
A imagem acima é da categoria National Award que destaca fotógrafos de vários continentes (não sei o motivo da falta do Brasil na relação). A lista completa dos vencedores desta categoria pode ser consultada aqui. Os vencedores receberão vários prêmios, desde uma viagem a Londres para participar do jantar de gala do Sony World Photography Awards a realizar no dia 30 de abril, até modernos equipamentos de imagem digital da Sony.

terça-feira, março 11, 2014

George Saunders - Folio Prize 2014


O escritor norte-americano George Saunders é o primeiro vencedor do mais novo prêmio literário em língua inglesa, o Folio Prize, com premiação de 40.000 libras (66.500 dólares). A sua antologia de contos "Tenth of December" foi escolhida entre 80 livros em língua inglesa publicados no ano passado na Grã-Bretanha por autores de diversas nacionalidades, independente da forma ou gênero (romance, conto ou poesia), conforme o regulamento da organização.

A escolha me parece coerente para uma premiação que nasce em oposição ao tradicional Man Booker Prize que teria se tornado muito sensível aos apelos comerciais e representa também a valorização do gênero conto, confirmando uma tendência apontada pelo Nobel 2013 ao premiar a contista Alice Munro. Outro fato que surpreendeu foi a maioria de autores norte-americanos selecionados (cinco dos oito finalistas), sendo que, à partir de 2014, o Man Booker Prize também contará com a participação de autores dos EUA.

Segue a "shortlist" do Folio Prize 2014: os norte-americanos Sergio De la Pava, ("A Naked Singularity"), Amity Gaige ("Schroder"), Kent Haruf ("Benediction"), Rachel Kushner ("The Flame Throwers") e George Saunders ("Tenth of December"); a irlandesa Eimear McBride ("A Girl is a Half-Formed Thing"), a canadense Anne Carson ("Red Doc") e a britânica Jane Gardam ("Last Friends").

A Folio Society, patrocinadora do evento, é uma famosa editora de livros ilustrados (clique nos títulos para ver estes exemplos: Moby Dick, Mrs. Dalloway e In Cold Blood). No Brasil, a tradução de "Tenth of December" está programada para ser lançada em 2014 pela editora Companhia das Letras.

sexta-feira, março 07, 2014

Marcos Bassini - Senhorita K

Marcos Bassini - Senhorita K - 150 páginas - Editora Patuá - Ilustração Diogo Brozoski - Lançamento 2013.

Estreia de Marcos Bassini, redator, roteirista e compositor na área da literatura, Senhorita K é um livro de poesias nada convencional porque, ao utilizar poemas para contar a saga de sua protagonista, incorpora elementos do gênero romance e roteiro que, associados ao estilo leve e original do autor, tendem a conquistar novos leitores ainda não iniciados na área de poesia. 

A nossa carismática personagem, Senhorita K, descobre muito cedo o amor e a incompreensão decorrente de uma gravidez inesperada, que ela decide interromper, sofrendo por isso as pressões da sociedade e, principalmente, de sua própria consciência. A relação entre culpa e punição é um tema importante na literatura que explica a escolha do título, inspirado no personagem Josef K de Franz Kafka. É desnecessário afirmar que a letra K, por afinidade óbvia, conta com a simpatia deste blog

A originalidade de Marcos Bassini flerta com o surrealismo e fica clara logo de início com a "falsa" errata abaixo:
 ERRATA

onde se lê eu, leia-se aquilo que não se sabe, universo ausente, dúvida homérica, carnaval silencioso, reza escandalosa, lógica imprevisível

onde se lê amor, leia-se armadura, garras de adamantium, escudo da senhora fantástica, sombra árida, saliva fervente que dissolve o aço

onde se lê você, leia-se universo autônomo, galáxia intocável, mitocôndria fugitiva, pó que se esconde entre um grão de areia e outro

onde se lê a gente, leia-se chifres e chifradas, cabeçudos e cabeçadas, sangue vermelho tingindo a anemia

onde se lê vida, leia-se morte indecifrável, barca convexa atirando marinheiros aos tubarões

onde se lê errata, leia-se
O autor foi premiado no concurso Edith - Só Para Poetas, organizado pela Editora Edith e divulgado na Balada Literária 2013, criação de Marcelino Freire. Para conhecer outros exemplos da poesia de Marcos Bassini na revista de poesia e arte contemporânea Mallamargens, clique aqui.

domingo, março 02, 2014

Vencedores do World Press Photo Contest 2014

Vencedor da categoria Questões Contemporâneas - John Stanmeyer
Divulgados os vencedores da edição 2014 do concurso da fundação World Press, a organização mais conceituada do mundo na área de fotojornalismo. Foram avaliados 5.754 fotógrafos de 132 países, totalizando 98.671 fotos. A imagem acima é muito representativa da nossa época porque mostra imigrantes africanos na cidade de Djibouti tentando captar o sinal de celular mais barato da vizinha Somália. Para conhecer mais trabalhos de John Stanmeyer, fotógrafo norte-americano da revista Time e National Geographic, visite o site oficial dele clicando aqui.

Vencedor da categoria Notícias - Philippe Lopez
Em 2013, o tufão Hayan destruiu grande parte das Filipinas. Esta foto capturou o momento das mulheres sobreviventes em uma procissão religiosa na ilha de Leyte completamente devastada (cliquem na imagem para ampliá-la). Ela já havia sido escolhida pela revista Time como uma das 10 imagens emblemáticas do ano. O francês Philippe Lopez é fotógrafo da AFP e trabalha atualmente em Hong Kong.

Vencedor da categoria Esportes Ação - Jia Guorong
A foto acima é da competição de barras no encontro nacional de atletismo em Shenyang, China. As imagens da World Press, nem sempre são agradáveis de serem vistas porque estão normalmente relacionadas a guerras, conflitos violentos e desastres naturais, mas isto não é culpa dos fotógrafos. Conheça aqui o imperdível site da World press com a galeria histórica da fundação, incluindo algumas das fotos que marcaram o nosso tempo, como a menina nua correndo depois de um ataque com napalm no Vietnan, o monge budista que ateou fogo em seu próprio corpo, o homem solitário que protestou contra uma coluna de tanques na China e muitas outras.

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Kurt Vonnegut - Cat´s Cradle

Kurt Vonnegut - Cat´s Cradle - 287 páginas - Random House Publishing Group - Lançamento original 1963.

Sempre achei difícil entender por que não conseguimos encontrar bons livros em livrarias de aeroportos, seja no  Brasil ou no exterior. Será que as pessoas em trânsito só se interessam por livros de autoajuda, best-sellers ou revistas de fofoca? Bem, foi com imenso prazer que descobri este livrinho salvador em uma loja do aeroporto de Houston ao aguardar um demorado voo de conexão. O próprio Kurt Vonnegut, com a sua corrosiva veia satírica, certamente acharia curiosa a pacífica convivência com as publicações vizinhas.

Cat´s Cradle ("Cama de Gato" em português) é um dos romances mais fortes já escritos em protesto contra o uso irresponsável da ciência pela indústria de armamentos e manipulação da religião pelos governos. Como sempre, Vonnegut consegue tratar de temas difíceis com humor (mesmo que seja um tipo de humor negro). A narrativa tem como base uma pesquisa de um jovem escritor (duas mulheres, 250.000 cigarros e 750 litros de cerveja atrás…) sobre um fictício cientista chamado Felix Hoenikker, pretensamente um dos criadores da bomba atômica, e os eventos ocorridos no dia do lançamento desta bomba em Hiroshima. Durante a pesquisa ficamos conhecendo os três filhos de Hoenikker, um anão pintor, uma jovem clarinetista e o terceiro que se torna general em uma pobre ilha caribenha chamada San Lorenzo. Uma última invenção de Hoenikker antes da própria morte, uma fórmula chamada ice-nine, em poder dos filhos, pode representar uma ameaça para o futuro da humanidade.

Uma das invenções mais engraçadas e cínicas de Vonnegut, neste romance, é a religião predominante na ilha de San Lorenzo, chamada de "bokononista" e orientada pela mentira que torna os seguidores corajosos, saudáveis e felizes, segundo o seu criador Bokonon. Adicionalmente, a própria ilha, desprezada por uma sequência de metrópoles colonizadoras, acaba sendo controlada por um tirano chamado Miguel "Papa" Monzano que mantém o poder fingindo banir a religião local com a pena de morte para os simpatizantes (apesar do próprio tirano ser um seguidor). Este falso confronto de forças entre governo e religião demonstra ser uma  decisão acertada para manter o controle da ilha e desviar o foco das verdadeiras necessidades do povo. Um livro importante na literatura contemporânea e, infelizmente, ainda representativo da estupidez humana.

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Granta Vol. 11 - Os melhores jovens escritores britânicos

Revista Granta Vol. 11 - Editora Objetiva, Selo Alfaguara, 2013 - publicado originalmente por Granta Publications com o título: Granta 123: Best of Young British Novelists 4.

Este tipo de edição da revista Granta já ajudou a divulgar, em suas três versões anteriores, publicadas uma vez a cada dez anos, autores do nível de Martin Amis, Julian Barnes, Kazuo Ishiguro, Salman Rushdie e Will Self. Logo, é sempre um evento muito aguardado no mercado editorial e uma espécie de garantia de bons textos. Um resumo com a biografia dos autores selecionados, todos com menos de 40 anos e em sua maioria desconhecidos do público brasileiro, pode ser conhecido nesta matéria da BBC, sendo que Zadie Smith e Adam Thirlwell foram os únicos já incluídos na seleção anterior de 2003. No Brasil a revista Granta em português estreou em 2007 com uma edição traduzida dos melhores jovens escritores norte-americanos (ver resenha do Mundo de K clicando aqui). 

Conforme explicação de John Freeman, editor da Granta de 2008 a 2013, a relação dos vinte autores selecionados pode ser dividida da seguinte forma: doze mulheres e oito homens (a primeira vez que uma lista deste tipo é de maioria feminina), três de ascendência africana; uma nascida na China e que só recentemente começou a escrever em inglês; outra de origem australiana; uma do Paquistão, outra de Bangladesh e ainda um indiano de segunda geração, de Derbyshire. Quatro autores judeus, um nascido no Canadá, de origem húngara, e outro que cresceu, entre outros lugares, no Texas. Uma lista para lá de globalizada, apesar de não ter havido esta preocupação (ainda segundo Freeman). Na verdade, a Granta não apostou no escuro ao selecionar este time de autores porque todos já receberam ou foram finalistas de importantes prêmios literários internacionais como o Man Booker Prize, Orange Prize, Commonwealth Writers Prize e outros, além de histórico de publicações anteriores.

Outra estatística importante desta edição é que ela conta, infelizmente, com apenas três contos completos e dezessete trechos de romances  em andamento (na época do lançamento da Granta) o que pode passar uma sensação de fragmentação e frustrar os leitores que acabam ficando sem a conclusão da maioria dos textos (mesmo procedimento adotado na seleção de jovens autores brasileiros de 2012 com trechos antecipados dos romances "Barba ensopada de sangue" de Daniel Galera e "Todos nós adorávamos caubóis" de Carol Bensimon).

Destaque para o conto "Glow" de Ned Beauman, uma movimentada história de ação na Tailândia, centrada no relacionamento amoroso entre um químico de drogas local e um americano que acabam desenvolvendo juntos uma fórmula para uma poderosa nova droga sintética, assim como "Chegadas", trecho inédito do próximo romance de Sunjeev Sahota, que mostra o difícil cotidiano de um grupo de imigrantes ilegais tentando sobreviver na cidade de Sheffield, Inglaterra. O engraçadíssimo conto "Logo e em nossos dias" de Naomi Alderman nos faz imaginar como seria a visita do profeta Elias, na primeira noite de Páscoa, em um tradicional lar de uma comunidade judaica nos subúrbios de Londres em nossos dias, imperdível.

sexta-feira, janeiro 31, 2014

Mapa literário de Moby Dick


O site Strange Maps transformou em geografia um dos maiores clássicos da literatura universal ao postar um mapa com uma reprodução de época do que teria sido a rota do navio Pequod em sua obsessiva perseguição à baleia Moby Dick (o mapa original na Biblioteca do Congresso pode ser visto aqui e os detalhes em alta definição neste site da Universidade de Chicago).

A ilustração representa a progressão do navio Pequod, liderado pelo capitão Ahab e sua infeliz tripulação, como descrito no romance de Herman Melville, iniciando na ilha de Nantucket, costa leste da América do Norte, navegando por todo o Oceano Atlântico, cruzando o Cabo da Boa Esperança, Oceano Índico e chegando ao Oceano Pacífico até o final fatídico em algum local da Nova Guiné. Uma ótima oportunidade para relembrar personagens inesquecíveis como Ismael, Queequeg, Starbuck e, principalmente, o transtornado capitão Ahab.

Esta postagem chama a atenção também para um projeto sem fins lucrativos, coordenado pela Universidade de Plymouth e outros, chamado Moby Dick - Big Read, que disponibiliza acesso gratuito a todos os capítulos do romance em áudio (ver aqui página do facebook).

terça-feira, janeiro 28, 2014

Haruki Murakami - 1Q84 - Livro 3

Haruki Murakami - 1Q84 (Livro 3) - 472 páginas - Editora Objetiva, Selo Alfaguara - Tradução direta do japonês de Lica Hashimoto - Lançamento: Novembro 2013 (lançamento original no Japão em 2009). Ler aqui um trecho em pdf disponibilizado pela editora.

Resenha do Livro 1: Haruki Murakami - 1Q84 1

Resenha do Livro 2: Haruki Murakami - 1Q84 2

À medida que avançamos rumo ao final da trilogia, percebemos como Haruki Murakami provoca ao máximo a curiosidade no perplexo leitor que imagina ansioso os possíveis desfechos para as linhas narrativas principais desta estranha epopéia, seja o esperado encontro de Tengo e Aomame nos labirintos da cidade de Tóquio, ou um sentido para os fenômenos criados pelo "Povo Pequenino" e a sua relação com a seita religiosa Sakigake, além dos mistérios ligados à criação de clones, encarnações, sexo e a fé em um deus nada convencional que é representado por uma senhora de meia-idade em uma Mercedes-Benz coupé prateada (até mesmo o deus de Murakami é fashion). Entretanto, apesar das inúmeras incursões no campo da fantasia e universos paralelos, este volume é essencialmente romântico, como podemos perceber nas passagens abaixo, relacionadas às vozes de Aomame e Tengo.
"A razão de eu estar aqui é clara. Há um único motivo: encontrar Tengo e me unir a ele. Esse é o motivo principal de eu existir neste mundo. Se olharmos pelo sentido inverso, esse é o único motivo de este mundo existir dentro de mim. Como espelhos colocados frente a frente, refletindo uma imagem ao infinito, isso pode ser um paradoxo sem fim. Eu faço parte desse mundo, e esse mundo é parte de mim." - pág. 372.
"Ele sabia que precisava de tempo para assimilar esse novo mundo que surgia diante dele. Precisava adaptar e reaprender todas as coisas, uma por uma: a maneira de pensar, o modo de ver as coisas, selecionar as palavras, o jeito de respirar e de mover o corpo. Para isso, precisava juntar todo o tempo existente no mundo. Não — talvez o mundo todo fosse insuficiente." - pág. 428.
Um novo e forte personagem, o incansável investigador Ushikawa à serviço da seita Sekigake, funciona como contraponto ao clima romântico deste terceiro volume e vem dividir com Tengo e Aomame a alternância da narrativa. Os seus métodos são eficientes, mas inescrupulosos para descobrir o paradeiro de Aomame, ele pode ser considerado uma máquina insensível, eficaz e resistente.
"Sei que devo ser um homem de meia-idade desagradável e obsoleto", pensou Ushikawa. "Não. Não se trata de 'devo ser'. Sou, sem sombra de dúvida, um homem de meia-idade, desagradável e obsoleto. Mas possuo alguns dons naturais que a maioria das pessoas não tem. Uma capacidade olfativa ímpar e uma 'firme determinação' de agarrar com força uma coisa e não largá-la de jeito nenhum. Foi graças a esses dons que consegui sobreviver até hoje. Enquanto eu possuir essa capacidade, independentemente de o mundo se tornar cada vez mais estranho, seja onde for, certamente conseguirei sobreviver." - pág. 104.
"Desde criança, seu rosto era grande e sua cabeça disforme. Os lábios grossos arqueados para baixo davam a impressão de que, a qualquer momento, um fio de baba escorreria dos cantos (era apenas uma impressão, isso nunca chegou a acontecer). Os cabelos eram crespos e desajeitados. Definitivamente, não tinha uma aparência que despertasse qualquer tipo de atração." - pág. 148.
"A aparência de Ushikawa chamava muita atenção. Era inadequada para espionar ou seguir pessoas. mesmo que tentasse passar despercebido na multidão, ele se destacava como uma centopeia dentro de um pote de iogurte." - pág. 194.
Para aqueles leitores que esperavam explicações convincentes para os surpreendentes delírios da saga de Murakami, este livro pode ter um final simplista e decepcionante, mas acho que ele merece o nosso perdão já que criou personagens inesquecíveis como a misteriosa e sensual assassina que veste Junko Shimada com sapatos Charles Jourdan e momentos mágicos passados nas noites de inverno de Tóquio, onde os personagens observam em uma praça deserta, do alto de um escorregador, um céu com duas luas.

segunda-feira, janeiro 20, 2014

20 citações de escritores sobre a arte de escrever


Será que podemos melhorar a técnica e criatividade de nosso texto conhecendo os conselhos e aforismos dos grandes mestres da literatura ou devemos encarar as citações apenas como exercício de genialidade desses autores, sem qualquer finalidade prática. Bem, garanto que não será perda de tempo conhecermos algumas dessas frases, escritas por quem melhor entende do assunto (apesar do pensamento inicial de Thomas Mann).

(01) "O escritor é um homem que mais do que qualquer outro tem dificuldade para escrever." - Thomas Mann (1875 - 1955);

(02) "Cada escritor cria os seus precursores." - Jorge Luis Borges (1899 - 1986);

(03) "Escrever é uma maneira de falar sem ser interrompido." - Jules Renard (1864 - 1910);

(04) "Tantas pessoas que escrevem e tão poucas que lêem!" - André Gide (1869 - 1951);

(05) "Escrevemos porque não queremos morrer. É esta a razão profunda do ato de escrever." - José Saramago (1922 - 2010);

(06) "Não se escreve por se querer dizer alguma coisa, escreve-se porque se tem alguma coisa para dizer." - Scott Fitzgerald (1896 - 1940);

(07) "Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo." - Fernando Pessoa (1888 - 1935);

(08) "Não se 'faz' uma frase. A frase nasce." - Clarice Lispector (1920 - 1977);

(09) "Acabar um livro é como dar à luz uma criança e dar-lhe um tiro." - Truman Capote (1924 - 1984);

(10) "Há duas maneiras de se elevar a si mesmo; ou por sua própria indústria ou pela imbecilidade dos outros." - Jean de La Bruyére (1645 - 1696);

(11) "Antigamente, livros eram escritos por homens de letras e lidos pelo público. Hoje em dia, livros são escritos pelo público e lidos por ninguém.” - Oscar Wilde (1854 - 1900);

(12) "Para ser grande é preciso ter 99 por cento de talento, 99 por cento de disciplina e 99 por cento de trabalho." - William Faulkner (1897 - 1962); 

(13) "Há certo tipo de ficção mediante a qual o autor tenta se libertar de uma obsessão que não é clara nem para ele mesmo. Mal ou bem, são as únicas que consigo escrever.” - Ernesto Sabato (1911 - 2011);

(14) "Depois de se escrever um conto, deve-se cortar o início e o fim, pois é aí que nós, escritores, mais mentimos" - Anton Tchekhov (1860 - 1904);

(15) "Nenhum ferro pode penetrar no coração humano de maneira tão gélida como um ponto colocado no momento exato." - Isaac Bábel (1894 - 1940);

(16) "Devemos escrever para nós mesmos, é assim que poderemos chegar aos outros." - Eugène Ionesco (1912 - 1994); 

(17) "Toda frase deve fazer uma de duas coisas – revelar o personagem ou avançar a ação." - Kurt Vonnegut (1922 - 2007);

(18) "A escrita não é senão ritmo." - Virginia Woolf (1882 - 1941);

(19)  "Escrever é uma questão de colocar acentos." - Machado de Assis (1839 - 1908);

(20) "Minha regra mais importante é uma que resume todas: se soa como escrita, eu reescrevo." - Elmore Leonard (1925 - 2013).

quarta-feira, janeiro 15, 2014

Yuko Shimizu


Podemos encontrar as premiadas ilustrações da japonesa Yuko Shimizu em publicações da New Yorker, Time ou Rolling Stone, assim como em anúncios para grandes corporações como a Microsoft e Target. Ela reside em Nova York desde 1999, cidade que sempre foi uma das grandes inspirações para o seu trabalho. Difícil é selecionar somente alguns exemplos da sua arte, mas em sua página oficial existe muito mais material disponível ou também na sua fan page do facebook ou blog. Uma influência evidente é da artista pop japonesa Yayoi Kusama (Polka Dot), como podemos notar pelas bolinhas da ilustração abaixo. Yuko Shimizu utiliza uma mistura de técnicas tradicionais (desenhando os contornos à mão com tinta nanquim) e, após digitalizar o desenho, finaliza as cores com ferramentas de editoração eletrônica.
 
  

Na verdade, as influências nos seus projetos não vêm apenas de pintores, ilustradores e artistas plásticos, mas também de outras formas de expressão como a literatura (Haruki Murakami e Yukio Mishima), cinema (Wong Kar-wai e John Woo) e até mesmo de ícones da moda como Jean Paul Gaultier (ver aqui postagem no blog de Yuko Shimizu onde ela escreve sobre suas influências). Ah sim, é importante não confundi-la com outra ilustradora japonesa famosa de mesmo nome, criadora da Hello Kitty (ela deve ficar muito brava com isso).


A ilustração acima foi feita para o metrô de Nova York, tendo como tema a Grande Estação Central e divulgada em posters nas estações entre 2011 e 2012 (parte do projeto Arts for Transit do MTA). Vale muito a pena conhecer aqui o processo criativo e a história por trás desta ilustração pela própria Yuko. Ela conta, por exemplo, que a garotinha asiática no topo da ilustração é uma representação dela própria quando criança. Vocês não acham que as ilustrações de Yuko Shimizu têm tudo a ver com literatura?

segunda-feira, janeiro 13, 2014

Javier Marías - Cuando fui mortal

Javier Marías - Cuando fui mortal - Editora Alfaguara España - 248 páginas - publicação original 1996 - traduzido no Brasil pela Editora Companhia das Letras em 2006.

Antologia que reúne doze contos escritos entre 1991 e 1995, lançados originalmente em diversas revistas e suplementos literários de jornais da Espanha. Segundo esclarece o próprio Javier Marías na introdução, o fato dos contos terem sido "encomendados" em sua maioria, inclusive com limitações de extensão em função do tipo de publicação, não lhe roubou o prazer e o divertimento de escrevê-los.

Apesar das diversas origens e motivações dos textos, percebemos uma tendência temática apontando para as novelas de mistério ou policiais de clima "noir' mas, deve-se ressaltar, com a narrativa sempre desenvolvida no estilo elegante e único de Marías que soube se adaptar muito bem aos requisitos de ritmo e tempo dos contos, tão diferentes da estrutura dos romances.

O conto que empresta o título ao livro, Quando fui mortal, é narrado em primeira pessoa por um fantasma que revisita e analisa do além, onde o tempo não passa, a sua vida completa em detalhes, assim como os fatos que levaram ao seu assassinato. Como afirma o nosso triste protagonista e narrador, quase tudo se esquece na vida e de tudo lembramos na morte, inclusive daquilo que não tínhamos consciência na época. Com este gancho a trama ganha um imprevisível desfecho que surpreende o leitor, como deve ocorrer sempre em toda boa narrativa curta.

Em No tempo indeciso, um daqueles poucos exemplos de sucesso na associação entre literatura e futebol, conhecemos um jogador húngaro de rara habilidade com a bola e com as mulheres que é contratado por um grande time espanhol. O título é uma referência a um momento mágico descrito por Javier Marías quando o craque, em um jogo importante, deixa todo o estádio em suspenso ao passar pelos zagueiros e goleiro e interromper o avanço com a bola já na linha divisória do gol, um segundo magistralmente descrito por Javier Marías. Este jogador abandonou uma noiva em seu passado que voltará para acompanhá-lo no declínio de sua carreira.

No conto que poderia entrar para qualquer antologia da categoria policial, Sangue de lança, acompanhamos a investigação de um assassinato duplo com requintes de violência e crueldade que aparentemente não consegue ser solucionado pelas investigações da polícia. Porém, um amigo da vítima não se conforma com alguns detalhes incoerentes relacionados à cena do crime, como por exemplo, o fato do amigo homossexual ter sido encontrado morto na cama com uma mulher. A narrativa, apesar do tema violento, é conduzida com leveza bem-humorada pelo autor e o final é mais uma vez surpreendente.

sábado, janeiro 11, 2014

Principais prêmios e eventos literários em 2014


Nem sempre os prêmios e eventos literários conseguem divulgar de maneira justa e imparcial as obras mais relevantes de um determinado período. A tarefa, que já é difícil por natureza, sofre diversas influências, começando pelo marketing das editoras e autores e, algumas vezes, até mesmo decorrentes de pressões políticas. De qualquer forma, entendo que vale sempre a pena acompanhar e divulgar pelo que esses eventos tem de melhor, a chance de conhecer e falar mais sobre literatura. Sendo assim, segue abaixo alguns dos principais prêmios e eventos literários, nacionais e estrangeiros, previstos para o ano de 2014 com algumas informações gerais, inclusive das edições anteriores, e as respectivas datas previstas, quando disponíveis.

Prêmio da Fundação Príncipe de Astúrias - Concedido anualmente desde 1981 à pessoa, instituição, grupo de pessoas ou de instituições cujo trabalho de criação ou de pesquisa represente uma contribuição relevante para a cultura universal nas áreas de Literatura ou de Linguística.

Para o ano de 2014 serão aceitas candidaturas até o dia 13 de março e a cerimônia solene de entrega dos prêmios será realizada em Oviedo (Principado de Astúrias, Espanha) na segunda quinzena do mês de outubro. Cada prêmio Príncipe de Astúrias é dotado com uma escultura de Joan Miró – símbolo da premiação – uma quantia de 50.000 euros, um diploma e uma insígnia.

Ver aqui a relação completa de premiados dos anos anteriores. A brasileira Nélida Piñon foi agraciada em 2005 com este prêmio. E em 2013 o vencedor foi o espanhol Antonio Muñoz Molina.

Prêmio Camões - O prêmio Camões foi instituído em 1988 pelo Protocolo Adicional ao Acordo Cultural entre os governos de Brasil e de Portugal, para ser atribuído anualmente aos escritores que tenham contribuído de forma relevante para o enriquecimento do patrimônio literário e cultural da língua portuguesa. O valor do prêmio é de 100.000 euros.

O moçambicano Mia Couto foi o último escritor agraciado com o prêmio Camões em 2013.

Dalton Trevisan passou a integrar em 2012 o seleto time de brasileiros já contemplados pelo Prêmio Camões: Ferreira Gullar (2010), João Ubaldo Ribeiro (2008), Lygia Fagundes Telles (2005), Rubem Fonseca (2003), Autran Dourado (2000), António Cândido de Mello e Sousa (1998), Jorge Amado (1995), Rachel de Queiroz (1993) e João Cabral de Melo Neto (1990).

Feira do livro de Frankfurt - Considerado o maior evento editorial do mundo, a Feira de Frankfurt remete a 500 anos de tradição se confundindo com a própria história do livro. Desde 1988 um país é convidado para apresentar a cultura nacional. O Brasil já foi o país escolhido por duas vezes, em 1994 e 2013.

A participação do Brasil em 2013 ficou marcada pelo polêmico discurso de abertura do escritor Luiz Ruffato. Ler aqui o discurso de Ruffato na íntegra.

Em 2014, a Feira está prevista para o período de 8 a 12 de outubro e o país homenageado será a Finlândia. Clique aqui para conhecer o blog oficial dos organizadores.

FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty - Evento anual que teve início em 2003 e sempre conta com uma seleção impecável de autores. Pela FLIP já passaram nomes como: Julian Barnes, Don DeLillo, Eric Hobsbawm, Hanif Kureishi, John Banville, Enrique Vila-Matas, Ian McEwan, Salman Rushdie, para citar somente alguns.

Ao longo de sua história a FLIP soube conquistar a posição de um dos principais festivais literários do mundo, principalmente pela participação do público e a localização privilegiada de Paraty.

A 12º edição da FLIP está prevista para o período de 30 de julho a 3 de agosto de 2014. Realizada sempre no início de julho, terá esta data em função da Copa do Mundo, que será em julho. Millôr Fernandes será o autor homenageado desta edição.

Festival Literário de Hay - Este é um dos eventos literários anuais mais concorridos e que serviu de inspiração e modelo para a FLIP, criado em 1988, na simpática vila de Hay-on-Wye no País de Gales.

O Festival cresceu tanto ao longo dos anos que atualmente tem eventos nos seguintes países: México, Hungria, Irlanda, Espanha, Kenya, Ilhas Maldivas, Índia, Bangladesh, Colômbia (Cartagena) e Líbano. Adicionalmente, em 2006, foi criado o programa Hay on Earth com uma política sustentável para minimizar os impactos ambientais do Festival uma vez que, nos últimos 26 anos de criação, o público cresceu de 1.000 para 250.000 visitantes em cinco continentes. Uma ótima ideia para a organização da FLIP aplicar em Paraty.

Em 2014, o Festival principal em Hay-on-Wye está previsto para o período de 22 de maio a 1 de junho com a participação da escritora americana Toni Morrison, Prêmio Nobel de Literatura.

Prêmio Jabuti - Este é certamente o mais tradicional e antigo prêmio literário brasileiro, criado em 1959 e organizado anualmente pela Câmara Brasileira do Livro. 

Desde a sua criação o prêmio tem incorporado novas categorias para as áreas de ficção e não ficção e, em 2013, contou com um total de 27 categorias. Para 2014 ainda não foram divulgadas as condições de participação, valor da premiação e o regulamento.

Em 2013, a obra vencedora de cada uma das 27 categorias recebeu, além do troféu Jabuti, um prêmio de R$ 3,5 mil. O livro do ano de ficção e não ficção receberam, cada um, R$ 35 mil.

Conheça aqui os vencedores de todas as categorias de 2013 e, para conhecer os vencedores de todas as edições anteriores do prêmio Jabuti, desde 1959, clique  aqui.

Prêmio Portugal Telecom - Foi criado em 2003 pela empresa portuguesa de telecomunicações como uma premiação somente para a literatura brasileira, à partir de 2007 passou a contemplar também todos os países de língua portuguesa.

Em 2013, os prêmios foram de R$ 100 mil para a categoria romance, R$ 50 mil para a categoria poesia e R$ 50 mil para a categoria de contos / crônica.

Conheça aqui os vencedores de 2013 das categorias romance, poesia e contos / crônica. Para conhecer os vencedores de todas as edições anteriores do prêmio Portugal Telecom, clique aqui

Prêmio São Paulo de Literatura - Criado em 2008 pela Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo para difundir e valorizar a leitura. Consiste na seleção dos melhores livros de ficção, no gênero romance, escritos em língua portuguesa, originalmente editados e publicados no Brasil no ano anterior. 

Em 2013, o prêmios para as três categorias foram de R$ 200 mil para melhor livro do ano,  R$ 100 mil para melhor livro do ano de autor estreante com mais de quarenta anos e R$ 100 mil  para autor estreante até quarenta anos.

Conheça aqui os romances vencedores de 2013 e aqui os vencedores de todas as edições anteriores do prêmio São Paulo de Literatura.

Prêmio Fundação José Saramago - Esta premiação ocorre somente a cada dois anos, distinguindo jovens escritores com idade até 35 anos por uma obra de ficção publicada em qualquer país de língua portuguesa.

O vencedor da oitava edição do prêmio em 2013 foi o angolano Ondjaki com um prêmio de 25.000 euros e os vencedores das edições anteriores:  Paulo José Miranda (1999),  José Luís Peixoto (2001)Adriana Lisboa (2003)Gonçalo M. Tavares (2005)valter hugo mãe (2007), João Tordo (2009) e  Andrea del Fuego (2011).

Man Booker Prize - Talvez o mais importante prêmio literário em língua inglesa, criado em 1968 para romances de autores vivos do Reino Unido, Irlanda e da comunidade britânica, passará a permitir também a participação de autores americanos à partir de 2014.

As datas previstas para 2014 são as seguintes: divulgação da "longlist" (12 ou 13 livros) em 23 de julho, "shortlist" (seis livros) em 09 de setembro e o vencedor anunciado em 14 de outubro.

O prêmio previsto para 2014 é de 50.000 libras para o romance vencedor e 2,5 mil libras para cada autor incluído na "shortlist".

A neozelandesa Eleanor Catton  foi a vencedora da versão 2013 com o romance "The Luminaries". Conheça aqui os resultados de todas as edições anteriores do Man Booker Prize.

Prêmio Nobel de Literatura - A premiação é concedida anualmente pela Academia Sueca desde 1901 e considera normalmente o conjunto da obra de um autor vivo, sempre com um caráter fortemente político o que tem gerado polêmica pela falta de transparência no processo de escolha.

A divulgação do autor premiado é feita geralmente no início de outubro de cada ano. Até hoje apenas José Saramago foi laureado em 1998 como autor de língua portuguesa.

A contista canadense Alice Munro, 82 anos, foi a vencedora do Nobel de Literatura de 2013 com um prêmio de 1,25 milhões de dólares. Para conhecer os vencedores de todas as edições anteriores do Prêmio Nobel de Literatura, desde 1901, clique aqui.
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