sábado, novembro 01, 2014

Leonardo Padura - O homem que amava os cachorros

Leonardo Padura - O homem que amava os cachorros - 590 páginas - Boitempo Editorial - Tradução Helena Pitta - Prefácio de Gilberto Maringoni - Lançamento: Dezembro de 2013.
 
Um romance histórico muito bem construído, onde o cubano Leonardo Padura utilizou ficção e fatos reais para contar o planejamento do assassinato de Leon Trotski (1879 - 1940) pela NKVD, polícia política da antiga União Soviética, sob as ordens de  Joseph Stálin (1879 - 1953). Liev Davidovitch Bronstein, ou Leon Trotski como ficou conhecido, foi um dos principais líderes da Revolução Russa de 1917 e organizador do Exército Vermelho. Intelectual de formação marxista, foi afastado do controle do partido e exilado por Stálin. A sua trajetória no exílio, passando pela Turquia, França, Noruega e México é narrada em detalhes no livro, inclusive a fase final no México, onde ficou inicialmente hospedado com a sua esposa  na casa de Diego Rivera e Frida Kahlo.

O assassino de Trotski, Ramon Mercader (1913 - 1978), combatente na Guerra Civil Espanhola, foi recrutado pelos assessores soviéticos na Espanha e treinado pelos serviços de inteligência, mudando de identidade e nacionalidade para se transoformar no belga Jacques Monard. Ele foi preso após o crime, mas nunca admitiu ter sido enviado pela União Soviética. Passou vinte anos nas prisões mexicanas e mudou-se para Moscou, vindo a falecer em Cuba nos anos 1970. O trabalho de ficção faz com que possamos entender melhor as contradições de Ramon Mercader e a forma como foi envolvido no processo, devido às suas convicções políticas e revolucionárias, um destino trágico do qual ele não conseguiu escapar.

O elemento de união de toda a trama fica por conta do personagem fictício Iván Cárdenas Maturell, escritor e veterinário amador que fica conhecendo Ramon Mercader em Cuba e detalhes de toda a história. Através deste narrador, Padura conta também as dificuldades econômicas e a influência das mudanças políticas mundiais no cotidiano da ilha. De certa forma é surpreendente que este livro não tenha sido censurado pelo governo cubano. O próprio autor em entrevista à revista Época fala da experiência de ser um escritor em Cuba e da dificuldade de acesso às informações:
"Na universidade que cursei, nos anos 1970, a figura de Trotski não existia. Nas aulas de filosofia e de história, ou quando se falava da Revolução Russa, ele não era mencionado. Exatamente como se fazia na União Sovié­tica. Isso me provocou uma enorme curiosidade. Quando pude, tratei de procurar informações sobre ele. Os livros soviéticos diziam que era um traidor da causa do socialismo e, por isso, morrera no exílio. Em 1989, visitando a Cidade do México, pedi a um amigo que me levasse à casa de Trotski, no bairro de Coyoacan. Quando cheguei ali, senti uma comoção forte ao ver a mesa de Trotski tal como ficou depois do crime. Como, num lugar tão perdido no mundo, chegou a mão de Josef Stálin para matar esse homem? Anos depois, soube que Ramón Mercader, o homem que matara Trotski, morrera em Cuba completamente anônimo. Posso ter cruzado com ele na rua sem saber. Tudo isso formou a base sentimental do romance. Depois, passei dois anos lendo e pesquisando sobre o assunto e três anos escrevendo."
O romance é o resultado de uma extensa pesquisa histórica e também uma bela obra de ficção que simboliza a frustração pela perda do grande sonho do socialismo no século XX e a luta pela igualdade entre os homens. De como a Utopia pode se transformar em Distopia através de regimes totalitários como foi o stalinismo.

quarta-feira, setembro 24, 2014

Finalistas do Prêmio Jabuti 2014

Finalistas do Premio Jabuti 2014, Categoria Romance
 
Já são conhecidos os dez finalistas de cada uma das 27 categorias da 56° edição do Prêmio Jabuti. Um total de 2.240 livros publicados em 2013 foram avaliados pela organização. A divulgação dos premiados da segunda fase está programada para 16/10, sendo que os três livros que receberem a maior pontuação dos jurados serão considerados vencedores em sua categoria. A cerimônia de entrega do prêmio Jabuti 2014 será realizada em 18 de novembro de 2014, no Auditório Ibirapuera em São Paulo.
 
Este ano a escolha dos melhores romances será bem difícil, mas a minha recomendação, de leitor para leitor, é apostar em Flavio Cafiero, um autor que ainda será indicado para muitos outros prêmios (clique aqui para ler a resenha do Mundo de K para "O frio aqui fora" de Flavio Cafiero). Ver abaixo os finalistas das categorias de romance, contos e crônicas e poesia da edição 2014 do Prêmio Jabuti:
 
Romance
 
Reprodução - Bernardo Carvalho - Companhia Das Letras
A maçã envenenada - Michel Laub - Companhia Das Letras
Opisanie Świata - Veronica Stigger - Cosac & Naify
O evangelho segundo Hitler - Marcos Peres - Record
O frio aqui fora - Flavio Cafiero - Cosac & Naify
O drible - Sérgio Rodrigues - Companhia Das Letras
Nossos ossos - Marcelino Freire - Editora Record
Fim - Fernanda Torres - Companhia Das Letras
Deserto - Luis S. Krausz - Editora Saraiva
Esquilos de Pavlov - Laura Erber - Editora Objetiva

 
Contos e Crônicas

Amálgama - Rubem Fonseca - Nova Fronteira
Você verá - Luiz Vilela - Editora Record
Nu, de botas - Antonio Prata - Companhia Das Letras
Um solitário à espreita  - Milton Hatoum - Companhia Das Letras
Noveleletas - João Vereza - Editora Record
Entre moscas - Everardo Norões - Confraria do Vento
Um operário em férias - Cristovão Tezza - Editora Record
Uns contos - Ettore Bottini - Cosac & Naify
Consternação - Jádson Barros Neves - Casarão do Verbo
Bem aqui, em lugar nenhum - Moema Franca - 7Letras

Poesia

Miserere - Adélia Prado - Editora Record
Bernini - poemas 2008-2010 - Horácio Costa - Horácio Costa
Ligue os pontos - Poemas de amor e big bang - Gregorio Duvivier - Companhia Das Letras
Dever - Armando Freitas Filho - Companhia Das Letras
Ar de arestas - Iacyr Anderson Freitas - Escrituras Editora
Estado Crítico - Régis Bonvicino - Editora Hedra
Ximerix - Zuca Saerdan- Cosac & Naify
Recife, No Hay - Delmo Montenegro - Editora Cepe
Corpos em Cena - Susanna Busato - Editora Patuá
Jardim das delícias - Marcus Vinicius Quiroga - Editora Kelps


Conheça aqui os finalistas de todas as 27 categorias do Prêmio Jabuti 2014.

quarta-feira, agosto 06, 2014

National Geographic - Traveler Photo Contest 2014

Independence Day
A foto acima, "Independence Day", de Marko Korosec da Eslovênia foi a primeira colocada no concurso de fotografia Traveler Photo Contest 2014 da revista National Geographic. Ela foi escolhida entre 18 mil concorrentes e mostra uma impressionante nuvem de tempestade com a forma de nave espacial, tirada no Colorado, EUA, em 28 de maio de 2013.

End of the World
Já a imagem acima, do fotógrafo Sean Hacker Teper, ganhou o prêmio de Honra ao Mérito, mostrando um homem em um balanço enquanto olha para o vulcão Monte Tungurahua em Banos, Equador, no momento da erupção. A foto levou o título sugestivo de "End of the World".

A well earned rest in the Sahara
Evan Cole também ganhou o prêmio de Honra ao Mérito com a foto do guia tuaregue Moussa Macher em pleno deserto do Saara. Um merecido descanso na escalada até o alto da duna de Tadrat. Clique aqui para conhecer todas as fotos concorrentes ou no site da National Geographic para o download das fotos em alta definição.

quarta-feira, julho 30, 2014

Banana Yoshimoto - Kitchen

Banana Yoshimoto - Kitchen - Editora faber and faber - 150 páginas - tradução de Megan Backus - lançamento original 1988 (publicado no Brasil em 1995 pela editora Ediouro, selo Nova Fronteira).

Mahoko Yoshimoto ou Banana Yoshimoto, como ficou mundialmente conhecida, filha do filósofo e poeta Takaaki Yoshimoto, nasceu em 1964 e, juntamente com Haruki Murakami, é uma das grandes responsáveis pela divulgação da literatura contemporânea japonesa. Assim como Murakami, ela soube utilizar com inteligência as referências culturais do ocidente em seus romances para falar dos problemas da juventude no Japão moderno. Ela ainda é muito pouco conhecida no Brasil, mas a Editora Estação Liberdade tem planos para o lançamento de "Adeus, Tsugumi", atualmente em tradução por Lica Hashimoto (apenas o primeiro livro de Yoshimoto, "Kitchen", foi lançado no Brasil pela Nova Fronteira, mas se encontra atualmente fora de catálogo).

"Kitchen", lançado em 1988, é seu primeiro livro que ela começou a escrever enquanto trabalhava como garçonete, resultando em muitos prêmios literários e fama imediata no Japão. É composto por dois contos: "Kitchen" e "Moonlight Shadow", ambos tendo como temas principais o amor e a morte na vida de jovens comuns japonesas que precisam vencer os obstáculos gerados pela perda de entes queridos, além é claro da paixão da própria autora pela culinária.


Em "Kitchen", a adolescente orfã Mikage Sakurai passa por um momento difícil de solidão e abandono após a morte da avó. Sem nenhum outro parente com quem possa contar, ela aceita o convite de um amigo, Eriko, para morar com ele e seu pai, na verdade "mãe", já que este optou por se transformar em mulher, ganhando a vida em uma boate de travestis. Percebe-se logo que o comportamento e opções dos personagens não são usuais na rígida disciplina da classe média japonesa.

Em "Moonlight Shadow", novamente uma tragédia é o motivo original do conto. A jovem Satsuki perde o seu namorado Hitoshi em um acidente de carro e passa por uma experiência mística, orientada pela estranha Urara, que a fará resistir à tristeza e encontrar motivações para superar o passado.


O estilo pop de Banana Yoshimoto pode parecer superficial à princípio, praticamente minimalista, mas sem dúvida é uma escritora que sabe descrever com originalidade o impacto do destino e as reações de seus personagens. A boa notícia é que temos outros autores interessantes no Japão de hoje além de Murakami.

quinta-feira, julho 24, 2014

Longlist do Man Booker Prize 2014


Pela primeira vez em sua história o Man Booker Prize considerou não somente autores da comunidade britânica, mas também de outros países, desde que a obra tenha sido escrita em inglês. A "Longlist" deste ano é composta de quatro escritores norte-americanos, um australiano, além de seis britânicos e dois irlandeses.
 
Segue abaixo a relação dos romances selecionados e autores, para maiores detalhes seguir os links para a Organização Man Booker Prize.
 

Os seis finalistas (shortlist) vão ser divulgados em 9 de setembro. O vencedor, que leva 50 mil libras, será conhecido em 14 de outubro.

domingo, julho 13, 2014

Alice Munro - Dear Life

 
Alice Munro - Dear Life - 319 páginas - Editora Vintage International, divisão da Random House - lançamento 2012 (publicado no Brasil pela Companhia das Letras em 2013 como "Vida Querida", tradução de Caetano Galindo - ler aqui um trecho disponibilizado pela editora).
 
Difícil encontrar paralelo na literatura contemporânea para o trabalho da canadense Alice Munro,prêmio Nobel de literatura 2013.Ela já lançou várias coletâneas de contos, com histórias lentas e ambientadas em cidades do interior do Canadá, inspiradas na vida de gente comum, mas nem por isso de simples entendimento (como a vida nunca é). Na verdade, seus textos são densos, não lineares, com pouca ação narrativa e foco na construção psicológica dos personagens, normalmente mulheres, que reagem a situações inusitadas. Dear Life, segundo a própria autora declarou, será seu último livro, reunindo alguns contos publicados em revistas literárias especializadas como: Harper´s Magazine, New Yorker e Granta, entre outras. A última parte, chamada "Finale", apresenta quatro narrativas autobiográficas inéditas (segundo a autora, essas histórias são autobiográficas em sentimento, mas não inteiramente de fato). Caso Dear Life seja mesmo seu último livro, podemos afirmar que é um belo final de carreira.
 
O conto de abertura, "To reach Japan" (Que chegue ao Japão) é um bom exemplo do estilo de Alice Munro. Greta é uma mulher casada, com aspirações literárias, que se despede do marido e parte com a filha pequena  em uma viagem de trem noturno para Toronto. Durante a viagem ela tem uma aventura de sexo casual com um estranho e não encontra a filha ao retornar para o seu leito. Munro lida com a tensão entre família, carreira e desejo. Tensão que fica clara em uma carta-poema que a protagonista preparou em um passado recente para um outro desconhecido que ela encontrou em uma festa de uma revista literária: "Writing this letter is like putting a note in a bottle and hoping it will reach japan (Escrever esta carta é como colocar uma nota em uma garrafa e esperar que chegue ao Japão)". Tudo isso em um único conto.
 
Em "In sight of the lake" (Com vista para o lago), a história é desenvolvida com base em outra de suas fixações, a progressiva debilidade humana devido à doença. A protagonista, Nancy, está esquecendo de pequenos eventos cotidianos e marca uma consulta com um médico de uma cidade vizinha. Ela decide viajar um dia antes para não ter dificuldades de encontrar o endereço. Imaginação e realidade se confundem quando a narrativa caminha para um desfecho surpreendente, como todo conto deveria ter.
 
"Night", é um dos quatro contos autobiográficos do final e o seguinte trecho mostra como as guinadas da vida podem acontecer em nossa própria mente, através da loucura: “A ideia estava ali e balançava na minha cabeça. A ideia de que eu podia estrangular a minha irmã mais nova, que dormia na cama embaixo da minha e que eu amava mais do que qualquer pessoa no mundo. Eu podia fazer isso não por ciúme, por maldade, ou por raiva, mas por loucura, que podia estar deitada ali bem do meu lado durante a noite”. Alice Munro, como todo grande autor, nos ensina a riqueza extraordinária de qualquer existência.

quarta-feira, abril 23, 2014

Alison Wright - Face to Face

Face to Face - Portraits of the Human Spirit
A fotógrafa Alison Wright viaja por todo o mundo em busca de imagens que representem as tradições e culturas locais. Com trabalhos constantemente publicados em revistas consagradas como a National Geographic, Smithsonian e Time, ela é uma referência na área de fotojornalismo. O seu último livro Face to Face é focado na diversidade de pessoas e apresenta uma seleção de retratos acumulados ao longo de sua carreira. Para conhecer mais de Alison Wright visite a sua página oficial ou fã page do facebook.

Fotos de Alison Wright

domingo, abril 20, 2014

Yukio Mishima - O Pavilhão Dourado

Yukio Mishima - O Pavilhão Dourado - Editora Companhia das Letras - 279 páginas - Tradução direta do japonês de Shintaro Hayashi - Lançamento no Brasil em 23/06/2010 (Lançamento original em 1956).

Yukio Mishima (1925 - 1970) é um autor que levou ao limite extremo a relação entre literatura e realidade, tendo cometido o suicídio ritual dos samurais, seppuku, conhecido vulgarmente no ocidente como harakiri em uma cerimônia completa que foi concluída com a sua decapitação por um assistente. Ele é consideradojuntamente com Yasunari Kawabata (prêmio Nobel de 1968) e Junichiro Tanizaki, um dos grandes nomes da literatura japonesa moderna e universal. O primeiro sucesso de Yukio Mishima foi "Confissões de uma Máscara", lançado em 1948, romance de teor autobiográfico em que um jovem homossexual precisa se esconder atrás de uma máscara para evitar as cobranças da rígida sociedade japonesa.

O romance "O Pavilhão Dourado" é ambientado na região de Quioto, final da Segunda Guerra Mundial, sendo o Japão da época um país destruído, invadido e derrotado. Este sentimento de fracasso norteia o romance, narrado em primeira pessoa pelo jovem Mizoguchi, órfão de pai e aprendiz de sacerdote, que sofre um complexo de inferioridade insuperável devido à sua fragilidade física e, sobretudo, por ser tímido e gago. Solidão e incompreensão, portanto, marcaram a formação de Mizoguchi, como fica claro no trecho abaixo:
"Ser incompreendido se tornara meu único motivo de orgulho, portanto não me via compelido a desenvolver esforços para ser compreendido. A fatalidade me negara atributos visíveis — eu assim acreditava. Minha solidão engordava dia a dia. Como porco."
Mizoguchi é admitido como ajudante no templo zen Pavilhão Dourado sonhando em um dia tornar-se sacerdote. A admiração que ele sente pela beleza do templo em confronto com os seus próprios defeitos e frustrações, é a porta de entrada do mal em seu coração. Dois personagens incorporam esses extremos em sua formação. O primeiro amigo, Tsurukawa, é honesto, sensível e alegre, representando a beleza da vida. Em contrapartida, o outro amigo, Kashiwagi, é a própria personificação do mal, manco e perverso, se aproxima de Mizoguchi, compartilhando sua filosofia negativa, assim como experiências do mundo material. Mas, é a deficiência que os acaba aproximando:
"Chamava-se Kashiwagi, eu sabia. A característica mais notável de seu aspecto físico eram os pés, retorcidos, voltados para dentro. Tinha um andar elaborado: parecia caminhar eternamente no meio de um lodaçal — trabalhava para soltar um dos pés da lama e o outro se afundava nela. Com isso, o corpo inteiro saltitava, o andar se transformava em uma espécie de dança espalhafatosa e inusitada.

Há uma razão para eu me ter interessado por Kashiwagi desde os primeiros dias na universidade. Sua malformação física me tranquilizava. Desde o início, seus pés tortos manifestavam apoio à minha deficiência."
Um estranho romance psicológico onde a relação não convencional entre beleza e maldade forja o amadurecimento do protagonista que, solitário em seu sofrimento, não consegue evitar o caminho para a própria destruição.

quinta-feira, março 20, 2014

Vencedores do Sony World Photography Awards 2014

Alpay Erdem da Turquia venceu na categoria Open - Smile
Divulgados os vencedores do concurso de fotografias Sony World Photography Awards 2014 para as categorias de amadores: Open, Youth e National Award. A organização avaliou mais de 70.000 inscrições de todo o mundo. A categoria Open foi dividida em dez prêmios diferentes e a imagem acima foi a vencedora da classe Smile. Cada um dos vencedores receberá uma câmara digital A6000 da Sony. Além disso, os fotógrafos terão os seus trabalhos expostos na Somerset House, em Londres, de 1 a 18 de maio, e a imagem vencedora será publicada na edição de 2014 do livro anual da Sony World Photography Awards. Cliquem nas fotos para ampliá-las.

Paulina Metzscher da Alemanha venceu na categoria Youth - Portraits
A categoria Youth foi idealizada para fotógrafos iniciantes com menos de vinte anos e considera três divisões: cultura, meio ambiente e retratos. A foto acima foi tirada durante uma viagem em um trem noturno na China, logo ao amanhecer. Cada vencedor receberá uma câmera digital A5000 da Sony e terá o seu trabalho exposto como parte da exposição da Sony World Photography Awards em Londres, em maio, e publicado no livro anual.

Lise Sundberg da Noruega foi a terceira colocada na categoria National Award
A imagem acima é da categoria National Award que destaca fotógrafos de vários continentes (não sei o motivo da falta do Brasil na relação). A lista completa dos vencedores desta categoria pode ser consultada aqui. Os vencedores receberão vários prêmios, desde uma viagem a Londres para participar do jantar de gala do Sony World Photography Awards a realizar no dia 30 de abril, até modernos equipamentos de imagem digital da Sony.

terça-feira, março 11, 2014

George Saunders - Folio Prize 2014


O escritor norte-americano George Saunders é o primeiro vencedor do mais novo prêmio literário em língua inglesa, o Folio Prize, com premiação de 40.000 libras (66.500 dólares). A sua antologia de contos "Tenth of December" foi escolhida entre 80 livros em língua inglesa publicados no ano passado na Grã-Bretanha por autores de diversas nacionalidades, independente da forma ou gênero (romance, conto ou poesia), conforme o regulamento da organização.

A escolha me parece coerente para uma premiação que nasce em oposição ao tradicional Man Booker Prize que teria se tornado muito sensível aos apelos comerciais e representa também a valorização do gênero conto, confirmando uma tendência apontada pelo Nobel 2013 ao premiar a contista Alice Munro. Outro fato que surpreendeu foi a maioria de autores norte-americanos selecionados (cinco dos oito finalistas), sendo que, à partir de 2014, o Man Booker Prize também contará com a participação de autores dos EUA.

Segue a "shortlist" do Folio Prize 2014: os norte-americanos Sergio De la Pava, ("A Naked Singularity"), Amity Gaige ("Schroder"), Kent Haruf ("Benediction"), Rachel Kushner ("The Flame Throwers") e George Saunders ("Tenth of December"); a irlandesa Eimear McBride ("A Girl is a Half-Formed Thing"), a canadense Anne Carson ("Red Doc") e a britânica Jane Gardam ("Last Friends").

A Folio Society, patrocinadora do evento, é uma famosa editora de livros ilustrados (clique nos títulos para ver estes exemplos: Moby Dick, Mrs. Dalloway e In Cold Blood). No Brasil, a tradução de "Tenth of December" está programada para ser lançada em 2014 pela editora Companhia das Letras.

sexta-feira, março 07, 2014

Marcos Bassini - Senhorita K

Marcos Bassini - Senhorita K - 150 páginas - Editora Patuá - Ilustração Diogo Brozoski - Lançamento 2013.

Estreia de Marcos Bassini, redator, roteirista e compositor na área da literatura, Senhorita K é um livro de poesias nada convencional porque, ao utilizar poemas para contar a saga de sua protagonista, incorpora elementos do gênero romance e roteiro que, associados ao estilo leve e original do autor, tendem a conquistar novos leitores ainda não iniciados na área de poesia. 

A nossa carismática personagem, Senhorita K, descobre muito cedo o amor e a incompreensão decorrente de uma gravidez inesperada, que ela decide interromper, sofrendo por isso as pressões da sociedade e, principalmente, de sua própria consciência. A relação entre culpa e punição é um tema importante na literatura que explica a escolha do título, inspirado no personagem Josef K de Franz Kafka. É desnecessário afirmar que a letra K, por afinidade óbvia, conta com a simpatia deste blog

A originalidade de Marcos Bassini flerta com o surrealismo e fica clara logo de início com a "falsa" errata abaixo:
 ERRATA

onde se lê eu, leia-se aquilo que não se sabe, universo ausente, dúvida homérica, carnaval silencioso, reza escandalosa, lógica imprevisível

onde se lê amor, leia-se armadura, garras de adamantium, escudo da senhora fantástica, sombra árida, saliva fervente que dissolve o aço

onde se lê você, leia-se universo autônomo, galáxia intocável, mitocôndria fugitiva, pó que se esconde entre um grão de areia e outro

onde se lê a gente, leia-se chifres e chifradas, cabeçudos e cabeçadas, sangue vermelho tingindo a anemia

onde se lê vida, leia-se morte indecifrável, barca convexa atirando marinheiros aos tubarões

onde se lê errata, leia-se
O autor foi premiado no concurso Edith - Só Para Poetas, organizado pela Editora Edith e divulgado na Balada Literária 2013, criação de Marcelino Freire. Para conhecer outros exemplos da poesia de Marcos Bassini na revista de poesia e arte contemporânea Mallamargens, clique aqui.

domingo, março 02, 2014

Vencedores do World Press Photo Contest 2014

Vencedor da categoria Questões Contemporâneas - John Stanmeyer
Divulgados os vencedores da edição 2014 do concurso da fundação World Press, a organização mais conceituada do mundo na área de fotojornalismo. Foram avaliados 5.754 fotógrafos de 132 países, totalizando 98.671 fotos. A imagem acima é muito representativa da nossa época porque mostra imigrantes africanos na cidade de Djibouti tentando captar o sinal de celular mais barato da vizinha Somália. Para conhecer mais trabalhos de John Stanmeyer, fotógrafo norte-americano da revista Time e National Geographic, visite o site oficial dele clicando aqui.

Vencedor da categoria Notícias - Philippe Lopez
Em 2013, o tufão Hayan destruiu grande parte das Filipinas. Esta foto capturou o momento das mulheres sobreviventes em uma procissão religiosa na ilha de Leyte completamente devastada (cliquem na imagem para ampliá-la). Ela já havia sido escolhida pela revista Time como uma das 10 imagens emblemáticas do ano. O francês Philippe Lopez é fotógrafo da AFP e trabalha atualmente em Hong Kong.

Vencedor da categoria Esportes Ação - Jia Guorong
A foto acima é da competição de barras no encontro nacional de atletismo em Shenyang, China. As imagens da World Press, nem sempre são agradáveis de serem vistas porque estão normalmente relacionadas a guerras, conflitos violentos e desastres naturais, mas isto não é culpa dos fotógrafos. Conheça aqui o imperdível site da World press com a galeria histórica da fundação, incluindo algumas das fotos que marcaram o nosso tempo, como a menina nua correndo depois de um ataque com napalm no Vietnan, o monge budista que ateou fogo em seu próprio corpo, o homem solitário que protestou contra uma coluna de tanques na China e muitas outras.

sexta-feira, fevereiro 28, 2014

Kurt Vonnegut - Cat´s Cradle

Kurt Vonnegut - Cat´s Cradle - 287 páginas - Random House Publishing Group - Lançamento original 1963.

Sempre achei difícil entender por que não conseguimos encontrar bons livros em livrarias de aeroportos, seja no  Brasil ou no exterior. Será que as pessoas em trânsito só se interessam por livros de autoajuda, best-sellers ou revistas de fofoca? Bem, foi com imenso prazer que descobri este livrinho salvador em uma loja do aeroporto de Houston ao aguardar um demorado voo de conexão. O próprio Kurt Vonnegut, com a sua corrosiva veia satírica, certamente acharia curiosa a pacífica convivência com as publicações vizinhas.

Cat´s Cradle ("Cama de Gato" em português) é um dos romances mais fortes já escritos em protesto contra o uso irresponsável da ciência pela indústria de armamentos e manipulação da religião pelos governos. Como sempre, Vonnegut consegue tratar de temas difíceis com humor (mesmo que seja um tipo de humor negro). A narrativa tem como base uma pesquisa de um jovem escritor (duas mulheres, 250.000 cigarros e 750 litros de cerveja atrás…) sobre um fictício cientista chamado Felix Hoenikker, pretensamente um dos criadores da bomba atômica, e os eventos ocorridos no dia do lançamento desta bomba em Hiroshima. Durante a pesquisa ficamos conhecendo os três filhos de Hoenikker, um anão pintor, uma jovem clarinetista e o terceiro que se torna general em uma pobre ilha caribenha chamada San Lorenzo. Uma última invenção de Hoenikker antes da própria morte, uma fórmula chamada ice-nine, em poder dos filhos, pode representar uma ameaça para o futuro da humanidade.

Uma das invenções mais engraçadas e cínicas de Vonnegut, neste romance, é a religião predominante na ilha de San Lorenzo, chamada de "bokononista" e orientada pela mentira que torna os seguidores corajosos, saudáveis e felizes, segundo o seu criador Bokonon. Adicionalmente, a própria ilha, desprezada por uma sequência de metrópoles colonizadoras, acaba sendo controlada por um tirano chamado Miguel "Papa" Monzano que mantém o poder fingindo banir a religião local com a pena de morte para os simpatizantes (apesar do próprio tirano ser um seguidor). Este falso confronto de forças entre governo e religião demonstra ser uma  decisão acertada para manter o controle da ilha e desviar o foco das verdadeiras necessidades do povo. Um livro importante na literatura contemporânea e, infelizmente, ainda representativo da estupidez humana.

sexta-feira, fevereiro 21, 2014

Granta Vol. 11 - Os melhores jovens escritores britânicos

Revista Granta Vol. 11 - Editora Objetiva, Selo Alfaguara, 2013 - publicado originalmente por Granta Publications com o título: Granta 123: Best of Young British Novelists 4.

Este tipo de edição da revista Granta já ajudou a divulgar, em suas três versões anteriores, publicadas uma vez a cada dez anos, autores do nível de Martin Amis, Julian Barnes, Kazuo Ishiguro, Salman Rushdie e Will Self. Logo, é sempre um evento muito aguardado no mercado editorial e uma espécie de garantia de bons textos. Um resumo com a biografia dos autores selecionados, todos com menos de 40 anos e em sua maioria desconhecidos do público brasileiro, pode ser conhecido nesta matéria da BBC, sendo que Zadie Smith e Adam Thirlwell foram os únicos já incluídos na seleção anterior de 2003. No Brasil a revista Granta em português estreou em 2007 com uma edição traduzida dos melhores jovens escritores norte-americanos (ver resenha do Mundo de K clicando aqui). 

Conforme explicação de John Freeman, editor da Granta de 2008 a 2013, a relação dos vinte autores selecionados pode ser dividida da seguinte forma: doze mulheres e oito homens (a primeira vez que uma lista deste tipo é de maioria feminina), três de ascendência africana; uma nascida na China e que só recentemente começou a escrever em inglês; outra de origem australiana; uma do Paquistão, outra de Bangladesh e ainda um indiano de segunda geração, de Derbyshire. Quatro autores judeus, um nascido no Canadá, de origem húngara, e outro que cresceu, entre outros lugares, no Texas. Uma lista para lá de globalizada, apesar de não ter havido esta preocupação (ainda segundo Freeman). Na verdade, a Granta não apostou no escuro ao selecionar este time de autores porque todos já receberam ou foram finalistas de importantes prêmios literários internacionais como o Man Booker Prize, Orange Prize, Commonwealth Writers Prize e outros, além de histórico de publicações anteriores.

Outra estatística importante desta edição é que ela conta, infelizmente, com apenas três contos completos e dezessete trechos de romances  em andamento (na época do lançamento da Granta) o que pode passar uma sensação de fragmentação e frustrar os leitores que acabam ficando sem a conclusão da maioria dos textos (mesmo procedimento adotado na seleção de jovens autores brasileiros de 2012 com trechos antecipados dos romances "Barba ensopada de sangue" de Daniel Galera e "Todos nós adorávamos caubóis" de Carol Bensimon).

Destaque para o conto "Glow" de Ned Beauman, uma movimentada história de ação na Tailândia, centrada no relacionamento amoroso entre um químico de drogas local e um americano que acabam desenvolvendo juntos uma fórmula para uma poderosa nova droga sintética, assim como "Chegadas", trecho inédito do próximo romance de Sunjeev Sahota, que mostra o difícil cotidiano de um grupo de imigrantes ilegais tentando sobreviver na cidade de Sheffield, Inglaterra. O engraçadíssimo conto "Logo e em nossos dias" de Naomi Alderman nos faz imaginar como seria a visita do profeta Elias, na primeira noite de Páscoa, em um tradicional lar de uma comunidade judaica nos subúrbios de Londres em nossos dias, imperdível.

sexta-feira, janeiro 31, 2014

Mapa literário de Moby Dick


O site Strange Maps transformou em geografia um dos maiores clássicos da literatura universal ao postar um mapa com uma reprodução de época do que teria sido a rota do navio Pequod em sua obsessiva perseguição à baleia Moby Dick (o mapa original na Biblioteca do Congresso pode ser visto aqui e os detalhes em alta definição neste site da Universidade de Chicago).

A ilustração representa a progressão do navio Pequod, liderado pelo capitão Ahab e sua infeliz tripulação, como descrito no romance de Herman Melville, iniciando na ilha de Nantucket, costa leste da América do Norte, navegando por todo o Oceano Atlântico, cruzando o Cabo da Boa Esperança, Oceano Índico e chegando ao Oceano Pacífico até o final fatídico em algum local da Nova Guiné. Uma ótima oportunidade para relembrar personagens inesquecíveis como Ismael, Queequeg, Starbuck e, principalmente, o transtornado capitão Ahab.

Esta postagem chama a atenção também para um projeto sem fins lucrativos, coordenado pela Universidade de Plymouth e outros, chamado Moby Dick - Big Read, que disponibiliza acesso gratuito a todos os capítulos do romance em áudio (ver aqui página do facebook).

terça-feira, janeiro 28, 2014

Haruki Murakami - 1Q84 - Livro 3

Haruki Murakami - 1Q84 (Livro 3) - 472 páginas - Editora Objetiva, Selo Alfaguara - Tradução direta do japonês de Lica Hashimoto - Lançamento: Novembro 2013 (lançamento original no Japão em 2009). Ler aqui um trecho em pdf disponibilizado pela editora.

Resenha do Livro 1: Haruki Murakami - 1Q84 1

Resenha do Livro 2: Haruki Murakami - 1Q84 2

À medida que avançamos rumo ao final da trilogia, percebemos como Haruki Murakami provoca ao máximo a curiosidade no perplexo leitor que imagina ansioso os possíveis desfechos para as linhas narrativas principais desta estranha epopéia, seja o esperado encontro de Tengo e Aomame nos labirintos da cidade de Tóquio, ou um sentido para os fenômenos criados pelo "Povo Pequenino" e a sua relação com a seita religiosa Sakigake, além dos mistérios ligados à criação de clones, encarnações, sexo e a fé em um deus nada convencional que é representado por uma senhora de meia-idade em uma Mercedes-Benz coupé prateada (até mesmo o deus de Murakami é fashion). Entretanto, apesar das inúmeras incursões no campo da fantasia e universos paralelos, este volume é essencialmente romântico, como podemos perceber nas passagens abaixo, relacionadas às vozes de Aomame e Tengo.
"A razão de eu estar aqui é clara. Há um único motivo: encontrar Tengo e me unir a ele. Esse é o motivo principal de eu existir neste mundo. Se olharmos pelo sentido inverso, esse é o único motivo de este mundo existir dentro de mim. Como espelhos colocados frente a frente, refletindo uma imagem ao infinito, isso pode ser um paradoxo sem fim. Eu faço parte desse mundo, e esse mundo é parte de mim." - pág. 372.
"Ele sabia que precisava de tempo para assimilar esse novo mundo que surgia diante dele. Precisava adaptar e reaprender todas as coisas, uma por uma: a maneira de pensar, o modo de ver as coisas, selecionar as palavras, o jeito de respirar e de mover o corpo. Para isso, precisava juntar todo o tempo existente no mundo. Não — talvez o mundo todo fosse insuficiente." - pág. 428.
Um novo e forte personagem, o incansável investigador Ushikawa à serviço da seita Sekigake, funciona como contraponto ao clima romântico deste terceiro volume e vem dividir com Tengo e Aomame a alternância da narrativa. Os seus métodos são eficientes, mas inescrupulosos para descobrir o paradeiro de Aomame, ele pode ser considerado uma máquina insensível, eficaz e resistente.
"Sei que devo ser um homem de meia-idade desagradável e obsoleto", pensou Ushikawa. "Não. Não se trata de 'devo ser'. Sou, sem sombra de dúvida, um homem de meia-idade, desagradável e obsoleto. Mas possuo alguns dons naturais que a maioria das pessoas não tem. Uma capacidade olfativa ímpar e uma 'firme determinação' de agarrar com força uma coisa e não largá-la de jeito nenhum. Foi graças a esses dons que consegui sobreviver até hoje. Enquanto eu possuir essa capacidade, independentemente de o mundo se tornar cada vez mais estranho, seja onde for, certamente conseguirei sobreviver." - pág. 104.
"Desde criança, seu rosto era grande e sua cabeça disforme. Os lábios grossos arqueados para baixo davam a impressão de que, a qualquer momento, um fio de baba escorreria dos cantos (era apenas uma impressão, isso nunca chegou a acontecer). Os cabelos eram crespos e desajeitados. Definitivamente, não tinha uma aparência que despertasse qualquer tipo de atração." - pág. 148.
"A aparência de Ushikawa chamava muita atenção. Era inadequada para espionar ou seguir pessoas. mesmo que tentasse passar despercebido na multidão, ele se destacava como uma centopeia dentro de um pote de iogurte." - pág. 194.
Para aqueles leitores que esperavam explicações convincentes para os surpreendentes delírios da saga de Murakami, este livro pode ter um final simplista e decepcionante, mas acho que ele merece o nosso perdão já que criou personagens inesquecíveis como a misteriosa e sensual assassina que veste Junko Shimada com sapatos Charles Jourdan e momentos mágicos passados nas noites de inverno de Tóquio, onde os personagens observam em uma praça deserta, do alto de um escorregador, um céu com duas luas.

segunda-feira, janeiro 20, 2014

20 citações de escritores sobre a arte de escrever


Será que podemos melhorar a técnica e criatividade de nosso texto conhecendo os conselhos e aforismos dos grandes mestres da literatura ou devemos encarar as citações apenas como exercício de genialidade desses autores, sem qualquer finalidade prática. Bem, garanto que não será perda de tempo conhecermos algumas dessas frases, escritas por quem melhor entende do assunto (apesar do pensamento inicial de Thomas Mann).

(01) "O escritor é um homem que mais do que qualquer outro tem dificuldade para escrever." - Thomas Mann (1875 - 1955);

(02) "Cada escritor cria os seus precursores." - Jorge Luis Borges (1899 - 1986);

(03) "Escrever é uma maneira de falar sem ser interrompido." - Jules Renard (1864 - 1910);

(04) "Tantas pessoas que escrevem e tão poucas que lêem!" - André Gide (1869 - 1951);

(05) "Escrevemos porque não queremos morrer. É esta a razão profunda do ato de escrever." - José Saramago (1922 - 2010);

(06) "Não se escreve por se querer dizer alguma coisa, escreve-se porque se tem alguma coisa para dizer." - Scott Fitzgerald (1896 - 1940);

(07) "Eu não escrevo em português. Escrevo eu mesmo." - Fernando Pessoa (1888 - 1935);

(08) "Não se 'faz' uma frase. A frase nasce." - Clarice Lispector (1920 - 1977);

(09) "Acabar um livro é como dar à luz uma criança e dar-lhe um tiro." - Truman Capote (1924 - 1984);

(10) "Há duas maneiras de se elevar a si mesmo; ou por sua própria indústria ou pela imbecilidade dos outros." - Jean de La Bruyére (1645 - 1696);

(11) "Antigamente, livros eram escritos por homens de letras e lidos pelo público. Hoje em dia, livros são escritos pelo público e lidos por ninguém.” - Oscar Wilde (1854 - 1900);

(12) "Para ser grande é preciso ter 99 por cento de talento, 99 por cento de disciplina e 99 por cento de trabalho." - William Faulkner (1897 - 1962); 

(13) "Há certo tipo de ficção mediante a qual o autor tenta se libertar de uma obsessão que não é clara nem para ele mesmo. Mal ou bem, são as únicas que consigo escrever.” - Ernesto Sabato (1911 - 2011);

(14) "Depois de se escrever um conto, deve-se cortar o início e o fim, pois é aí que nós, escritores, mais mentimos" - Anton Tchekhov (1860 - 1904);

(15) "Nenhum ferro pode penetrar no coração humano de maneira tão gélida como um ponto colocado no momento exato." - Isaac Bábel (1894 - 1940);

(16) "Devemos escrever para nós mesmos, é assim que poderemos chegar aos outros." - Eugène Ionesco (1912 - 1994); 

(17) "Toda frase deve fazer uma de duas coisas – revelar o personagem ou avançar a ação." - Kurt Vonnegut (1922 - 2007);

(18) "A escrita não é senão ritmo." - Virginia Woolf (1882 - 1941);

(19)  "Escrever é uma questão de colocar acentos." - Machado de Assis (1839 - 1908);

(20) "Minha regra mais importante é uma que resume todas: se soa como escrita, eu reescrevo." - Elmore Leonard (1925 - 2013).

quarta-feira, janeiro 15, 2014

Yuko Shimizu


Podemos encontrar as premiadas ilustrações da japonesa Yuko Shimizu em publicações da New Yorker, Time ou Rolling Stone, assim como em anúncios para grandes corporações como a Microsoft e Target. Ela reside em Nova York desde 1999, cidade que sempre foi uma das grandes inspirações para o seu trabalho. Difícil é selecionar somente alguns exemplos da sua arte, mas em sua página oficial existe muito mais material disponível ou também na sua fan page do facebook ou blog. Uma influência evidente é da artista pop japonesa Yayoi Kusama (Polka Dot), como podemos notar pelas bolinhas da ilustração abaixo. Yuko Shimizu utiliza uma mistura de técnicas tradicionais (desenhando os contornos à mão com tinta nanquim) e, após digitalizar o desenho, finaliza as cores com ferramentas de editoração eletrônica.
 
  

Na verdade, as influências nos seus projetos não vêm apenas de pintores, ilustradores e artistas plásticos, mas também de outras formas de expressão como a literatura (Haruki Murakami e Yukio Mishima), cinema (Wong Kar-wai e John Woo) e até mesmo de ícones da moda como Jean Paul Gaultier (ver aqui postagem no blog de Yuko Shimizu onde ela escreve sobre suas influências). Ah sim, é importante não confundi-la com outra ilustradora japonesa famosa de mesmo nome, criadora da Hello Kitty (ela deve ficar muito brava com isso).


A ilustração acima foi feita para o metrô de Nova York, tendo como tema a Grande Estação Central e divulgada em posters nas estações entre 2011 e 2012 (parte do projeto Arts for Transit do MTA). Vale muito a pena conhecer aqui o processo criativo e a história por trás desta ilustração pela própria Yuko. Ela conta, por exemplo, que a garotinha asiática no topo da ilustração é uma representação dela própria quando criança. Vocês não acham que as ilustrações de Yuko Shimizu têm tudo a ver com literatura?

segunda-feira, janeiro 13, 2014

Javier Marías - Cuando fui mortal

Javier Marías - Cuando fui mortal - Editora Alfaguara España - 248 páginas - publicação original 1996 - traduzido no Brasil pela Editora Companhia das Letras em 2006.

Antologia que reúne doze contos escritos entre 1991 e 1995, lançados originalmente em diversas revistas e suplementos literários de jornais da Espanha. Segundo esclarece o próprio Javier Marías na introdução, o fato dos contos terem sido "encomendados" em sua maioria, inclusive com limitações de extensão em função do tipo de publicação, não lhe roubou o prazer e o divertimento de escrevê-los.

Apesar das diversas origens e motivações dos textos, percebemos uma tendência temática apontando para as novelas de mistério ou policiais de clima "noir' mas, deve-se ressaltar, com a narrativa sempre desenvolvida no estilo elegante e único de Marías que soube se adaptar muito bem aos requisitos de ritmo e tempo dos contos, tão diferentes da estrutura dos romances.

O conto que empresta o título ao livro, Quando fui mortal, é narrado em primeira pessoa por um fantasma que revisita e analisa do além, onde o tempo não passa, a sua vida completa em detalhes, assim como os fatos que levaram ao seu assassinato. Como afirma o nosso triste protagonista e narrador, quase tudo se esquece na vida e de tudo lembramos na morte, inclusive daquilo que não tínhamos consciência na época. Com este gancho a trama ganha um imprevisível desfecho que surpreende o leitor, como deve ocorrer sempre em toda boa narrativa curta.

Em No tempo indeciso, um daqueles poucos exemplos de sucesso na associação entre literatura e futebol, conhecemos um jogador húngaro de rara habilidade com a bola e com as mulheres que é contratado por um grande time espanhol. O título é uma referência a um momento mágico descrito por Javier Marías quando o craque, em um jogo importante, deixa todo o estádio em suspenso ao passar pelos zagueiros e goleiro e interromper o avanço com a bola já na linha divisória do gol, um segundo magistralmente descrito por Javier Marías. Este jogador abandonou uma noiva em seu passado que voltará para acompanhá-lo no declínio de sua carreira.

No conto que poderia entrar para qualquer antologia da categoria policial, Sangue de lança, acompanhamos a investigação de um assassinato duplo com requintes de violência e crueldade que aparentemente não consegue ser solucionado pelas investigações da polícia. Porém, um amigo da vítima não se conforma com alguns detalhes incoerentes relacionados à cena do crime, como por exemplo, o fato do amigo homossexual ter sido encontrado morto na cama com uma mulher. A narrativa, apesar do tema violento, é conduzida com leveza bem-humorada pelo autor e o final é mais uma vez surpreendente.
Related Posts with Thumbnails