sábado, fevereiro 10, 2007

A Trilogia de Nova York - Paul Auster

A "Trilogia de Nova York" de Paul Auster, publicado originalmente em 1987 é uma reunião de três contos longos, aparentemente independentes, mas tendo como tema comum a solidão e a perda de identidade de seus personagens em uma grande metrópole. A cidade de Nova York se transforma em um labirinto mental onde os personagens compartilham suas histórias e não sabemos exatamente o que é imaginação ou realidade.

A primeira parte, "Cidade de Vidro", apresenta níveis de realidade distintos. No primeiro, o próprio Paul Auster é ao mesmo tempo escritor ou narrador da história e, em outro nível, um dos personagens: Paul Auster, o detetive em que se transforma Daniel Quinn, um solitário escritor de romances policiais (uma entre outras referências a Don Quixote no decorrer do livro). Ao longo da trama, presenciamos a destruição gradual da personalidade de Daniel Quinn, enquanto desconfiamos da existência do detetive Paul Auster e da própria história que está sendo narrada e escrita em um caderno vermelho, ao que parece, apenas mais um delírio do protagonista, seja ele quem for.

Em "Fantasmas", o detetive particular Blue é contratado por um cliente chamado White para investigar e vigiar continuamente um homem chamado Black, que descobrimos ser a mesma pessoa. Ao longo do conto, novamente é desenvolvido o tema da perda de identidade do personagem.

Na última parte, "O Quarto Fechado", o amigo de infância de um escritor desaparecido é solicitado por sua suposta viúva a publicar os originais inéditos do marido. Desta vez ocorre um processo de transferência de personalidade, enquanto o protagonista acaba se apropriando da vida do amigo, casando-se com sua ex-mulher e finalmente descobrindo sua própria potencialidade como escritor.

Editora Companhia das Letras, 344 páginas, lançamento 21/01/1999.

Paul Auster esteve no Brasil em 2004 durante a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip) e hoje no caderno "Prosa e Verso" do jornal Globo foi publicada um entrevista por conta de seu último romance "Viagens no Scriptorium" ele deixou esta resposta abaixo comentando a chegada dos sessenta anos:

"Tudo começa a mudar aos 50. Seu corpo começa a quebrar ou falhar aos poucos, você não é forte e saudável como era. E uma coisa ainda mais importante do que isso é que muitas das pessoas que você amou ou com as quais se preocupou durante a sua vida estão mortas. Você começa a caminhar por aí com vários fantasmas ao seu lado. Você começa a conversar com pessoas que não estão mais lá, quase tanto quanto com pessoas que ainda estão vivas. É uma experiência muito estranha (...)."


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