quinta-feira, maio 24, 2007

Memória de minhas putas tristes - G. G. Marquez

Este, definitivamente, é o ano do colombiano e já octogenário Gabriel Garcia Marquez, uma edição especial comemorativa de 40 anos de publicação de "Cem Anos de Solidão" foi editada pela Real Academia Espanhola e completam-se também 25 anos do recebimento de seu Prêmio Nobel de Literatura pelo conjunto de obras que definiram um estilo que passaria a ser chamado de "realismo mágico" que, para o bem e para o mal, passou a ser um sinônimo de literatura latino americana.

"Memória de minhas putas tristes" leva a marca do mestre Gabo ou Gabito como aprendemos a conhecê-lo a partir de suas memórias lançadas em 2002 com o título de "Viver para contar", um livro que, ao final da leitura, nos deixa na dúvida se lemos uma auto-biografia ou um romance, tal o lirismo com que sua vida se confunde com a obra.

"Memória de minhas putas tristes" é uma história de amor incomum entre um ancião e uma menina de catorze anos e que nos deixa surpreendidos já no primeiro parágrafo: "No ano de meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Lembrei de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar aos seus bons clientes quando tinha alguma novidade disponível. Nunca sucumbi a essa nem a nenhuma de suas muitas tentações obscenas, mas ela não acreditava na pureza de meus princípios. Também a moral é uma questão de tempo, dizia com sorriso maligno, você vai ver. "

O narrador desta história é um jornalista que passou toda a vida escrevendo crônicas em um jornal do interior e que, segundo ele próprio descreve em suas "memórias", nunca se deitou com mulher alguma sem pagar, sempre fugindo do amor. É, portanto, surpreendente que ele venha a descobrir finalmente, em uma das passagens mais bonitas do livro, que: "o sexo é o consolo que a gente tem quando o amor não nos alcança".

Na verdade, neste romance o sexo nunca chega a se concretizar, a exemplo do clássico “A Casa das Belas Adormecidas” de Kawabata, que é citado na epígrafe. Todo o relacionamento é uma descoberta do amor tardio pelo velho jornalista que, em última análise, é a sua própria paixão pela vida.

Postar um comentário
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...
>