Clarice Lispector - A Hora da Estrela

Clarice Lispector - A Hora da Estrela - Editora Rocco - 87 páginas - publicação 1998

Neste que é seu último romance, lançado originalmente em 1977, percebe-se a reflexão de Clarice Lispector (1920 - 1977) sobre a própria morte já próxima. Assim é que ela parece tentar se esconder neste trabalho, tanto no que se refere à escolha da protagonista, a nordestina Macabéa, uma mulher miserável e que não tem consciência da própria existência, quanto na escolha do processo narrativo que é desenvolvido através da criação de seu alter-ego, o escritor Rodrigo S. M., um homem sem muitas esperanças e que resume assim a sua necessidade de escrever: "Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias."

A alagoana Macabéa, órfã de pai e mãe, criada por uma tia e desprovida de qualquer encanto, tem como maior prazer na vida escutar a rádio relógio. No Rio de Janeiro, consegue um emprego de datilógrafa e um namorado, Olímpico de Jesus, que a trocará por sua colega Glória. A narrativa caminha para uma conclusão previsível que ocorrerá na desesperada consulta à cartomante. Nada mais distante de Clarice Lispector do que esta personagem. No entanto, assim como Macabéa, Clarice também não conseguiu interferir no seu destino já determinado.

O exercício de escrever pode ser muito difícil, porém ao mesmo tempo recompensador, Clarice Lispector definiu bem este sentimento no trecho a seguir: "Não, não é fácil escrever. É duro como quebrar rochas. Mas voam faíscas e lascas como aços espelhados."

15 comentários
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Postagens mais visitadas deste blog

Os melhores conselhos para conviver com uma pessoa fanática por livros

As 20 melhores distopias da literatura

As estranhas flores de Georgia O’Keeffe

20 sites para baixar livros legalmente e de graça

Os meninos da rua Paulo - Ferenc Molnár