sábado, novembro 03, 2007

Clarice Lispector - A Hora da Estrela

Clarice Lispector - A Hora da Estrela - Editora Rocco - 87 páginas - publicação 1998

Neste que é seu último romance, lançado originalmente em 1977, percebe-se a reflexão de Clarice Lispector (1920 - 1977) sobre a própria morte já próxima. Assim é que ela parece tentar se esconder neste trabalho, tanto no que se refere à escolha da protagonista, a nordestina Macabéa, uma mulher miserável e que não tem consciência da própria existência, quanto na escolha do processo narrativo que é desenvolvido através da criação de seu alter-ego, o escritor Rodrigo S. M., um homem sem muitas esperanças e que resume assim a sua necessidade de escrever: "Escrevo por não ter nada a fazer no mundo: sobrei e não há lugar para mim na terra dos homens. Escrevo porque sou um desesperado e estou cansado, não suporto mais a rotina de me ser e se não fosse a sempre novidade que é escrever, eu me morreria simbolicamente todos os dias."

A alagoana Macabéa, órfã de pai e mãe, criada por uma tia e desprovida de qualquer encanto, tem como maior prazer na vida escutar a rádio relógio. No Rio de Janeiro, consegue um emprego de datilógrafa e um namorado, Olímpico de Jesus, que a trocará por sua colega Glória. A narrativa caminha para uma conclusão previsível que ocorrerá na desesperada consulta à cartomante. Nada mais distante de Clarice Lispector do que esta personagem. No entanto, assim como Macabéa, Clarice também não conseguiu interferir no seu destino já determinado.

O exercício de escrever pode ser muito difícil, porém ao mesmo tempo recompensador, Clarice Lispector definiu bem este sentimento no trecho a seguir: "Não, não é fácil escrever. É duro como quebrar rochas. Mas voam faíscas e lascas como aços espelhados."

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