Philip Roth - O Animal Agonizante

Philip Roth - O Animal Agonizante - Editora Companhia das Letras - 127 páginas - Publicação 2006 - Tradução de Paulo Henriques Britto.

Philip Roth, talvez o maior escritor norte-americano da atualidade, é apontado como favorito a cada ano para o Nobel de Literatura, não sem merecimento. Recebeu o Prêmio Pulitzer na categoria de ficção pelo romance Pastoral Amercana em 1998, Prêmio PEN/Faulkner por três vezes, PEN/Nabokov em 2006 e o PEN/Saul Bellow em 2007 para citar apenas alguns.

David Kepesh, protagonista do romance "O Animal Agonizante", é uma personalidade conhecida no meio cultural de Nova York, professor de literatura, apresenta um programa na TV e leciona um concorrido curso por ano que normalmente termina com uma festa em seu apartamento. Nestas festas Kepesh, amante da música clássica e razoável pianista, sempre escolhe uma jovem e bonita aluna para um rápido relacionamento amoroso.

A vida de David Kepesh, chegando aos setenta anos, está perfeitamente equilibrada até que ele conhece Consuela Castillo. A seguinte descrição demonstra o fascínio que a bela e sensual aluna cubana desperta no professor: "Duas coisas no corpo de Consuela chamam a atenção. Em primeiro lugar os seios. Os seios mais magníficos que jamais vi — e olhe que eu nasci em 1930: a esta altura, já vi muitos seios. Os dela eram redondos, cheios, perfeitos. O tipo de seio com um mamilo que parece um pires. Não o que parece um úbere, porém aquele mamilo grande, de um tom claro de rosa pardacento, que é tão excitante. A segunda coisa era o fato de que seus pêlos pubianos eram lisos. Normalmente são encaracolados. Os dela pareciam cabelo de asiático. Lisos, estendidos, e parcos".

Consuela Castillo chega para destruir toda a ilusão de segurança que Kepesh havia construído através dos anos, para lembrá-lo de que a eternidade é apenas uma ilusão, uma distração que nos faz esquecer da realidade. Kepesh descobre que é somente um velho: "Para aqueles que ainda não são velhos, ser velho significa ter sido. Porém ser velho significa também que, apesar e além de ter sido, você continua sendo, e a consciência de continuar sendo é tão avassaladora quanto a consciência de ter sido. Eis uma maneira de encarar a velhice: é a época da vida em que a consciência de que a sua vida está em jogo é apenas um fato cotidiano. É impossível não saber o fim que o aguarda em breve. O silêncio em que você vai mergulhar para sempre. Fora isso, tudo é tal como antes. Fora isso, você continua sendo imortal enquanto vive".

David Kepesh, durante os quase dois anos de relacionamento, passa a conhecer a insegurança emocional e o ciúme, sentimentos que não faziam parte do seu mundo equilibrado e egoísta e este é apenas o menor dos sinais, coisas piores ainda estão por vir, quando anos mais tarde Consuela o procura para lhe contar uma trágica revelação. Não sei se a poesia abaixo de Yeats influenciou Roth neste romance, mas sem dúvida, representa a essência do tema:

Death
(William Butler Yeats)

Nor dread nor hope attend
A dying animal;
A man awaits his end
Dreading and hoping all;
Many times he died,
Many times rose again.
A great man in his pride
Confronting murderous men
Casts derision upon
Supersession of breath;
He knows death to the bone -
Man has created death.

Morte
(Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos)

Medo não tem, nem esperança,
Um animal a agonizar:
Aguarda um homem o seu fim,
Tudo a temer, tudo a esperar;
Já muitas vezes morreu ele,
As muitas vezes retornando.
Em seu orgulho, um grande homem,
Homens que matam enfrentando,
Sobre a substituição da vida
Atira um menosprezo forte;
Sabe ele a morte até os ossos
- Foi o homem quem criou a morte.

24 comentários
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

Postagens mais visitadas deste blog

20 citações de escritores sobre a arte de escrever

Monólogo de Molly Bloom em Ulysses, "sim eu disse sim eu quero Sim"

20 personagens femininas da literatura mundial

20 problemas que somente os apaixonados por livros podem entender

Ian McEwan - Enclausurado

As 20 melhores distopias da literatura