Milton Hatoum - Cinzas do Norte

Milton Hatoum - Cinzas do Norte - Editora Companhia das Letras - 312 páginas - Lançamento 2005.

O regionalismo de Milton Hatoum é uma característica muito rara nos autores brasileiros contemporâneos que ambientam normalmente os seus romances nos grandes centros urbanos, até mesmo pelo motivo óbvio de que a maioria deles foi criada nas capitais do sul e sudeste. Bem, os personagens do autor amazonense e amauara Milton Hatoum estão cercados pela exuberância da floresta tropical, mas sofrem pelo desnível social e abandono político da região. Principalmente neste seu terceiro livro que tem a maior parte da ação centrada na Manaus dos anos sessenta e conta a trajetória de toda a vida de dois amigos: Olavo e Raimundo, ou Lavo e Mundo, como são apelidados. Enquanto Lavo é um órfão, criado pelos tios, e que não tem maiores ambições do que se tornar advogado, Mundo é um artista de temperamento libertário e que alimenta um ódio incontrolável pelo pai, rico fazendeiro e colaborador do regime militar da época, que tenta enquadrá-lo de todas as formas no seu próprio modelo de comportamento.

Hatoum desenvolve a trama através de narrativas entrecruzadas entre a voz em primeira pessoa do protagonista Lavo, uma longa carta de seu tio Ranulfo para Mundo e a correspondência de Mundo para Lavo, histórias que vão se encaixando aos poucos para explicar o mistério que cerca a origem dos dois amigos. Cinzas do Norte ganhou os prêmios Jabuti, Livro do Ano, Bravo, APCA e Portugal Telecom; um grande romance de um dos maiores autores da literatura nacional da atualidade.
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