sábado, março 30, 2013

Haruki Murakami - 1Q84 - Livro 2

Haruki Murakami - 1Q84 (Livro 2) - 376 páginas - Editora Objetiva, Selo Alfaguara - Tradução direta do japonês de Lica Hashimoto - Lançamento: Março 2013 (lançamento original no Japão em 2009). Ler aqui trecho em pdf disponibilizado pela editora.

Resenha do Livro 1: Haruki Murakami - 1Q84

Neste segundo volume da trilogia, Haruki Murakami consegue avançar no intrincado mundo de 1Q84 mantendo o ritmo cinematográfico e ainda sem descuidar do nível de tensão e suspense criados no primeiro livro. A narrativa continua intercalando os capítulos com as trajetórias dos protagonistas Tengo e Aomame que se aproximam, ou se reaproximam, cada vez mais na sua busca pelo amor (como resumiu o próprio Murakami). Ao mesmo tempo, maiores detalhes são revelados sobre a seita Sakigake, cujo líder Aomame deverá eliminar, e  o temível Povo Pequenino, através de "Crisálida de Ar", o romance que Tengo reescreveu à partir do roteiro original da jovem e bela Fukaeri, além da difícil explicação sobre a clonagem de alguns personagens com os conceitos de dohta e maza.

Murakami desenvolve a sua saga sem se importar em tangenciar a perigosa fronteira entre o best seller de leitura fácil e a literatura de conteúdo. De fato, a narrativa é tão ambiciosa que, em muitos momentos, exige uma certa dose de complacência do leitor para aceitar as incríveis reviravoltas e emaranhado ficcional do mundo de duas luas imaginado pelo autor, um mundo novo e não paralelo, como explica neste volume. De qualquer forma, não há como não se deixar levar pelo prazer da refinada prosa de Murakami que parece ter sido inteiramente preservada na dedicada tradução direta de Lica Hashimoto. Agora só nos resta esperar pelo lançamento do livro 3 no Brasil, ainda sem data marcada para publicação.
"As batidas de seu coração continuavam a emitir um som seco e duro, mas a tontura estava passando. Escutando as batidas, ele continuou olhando as duas luas que pairavam no céu de Kôenji, com a cabeça encostada no corrimão do escorregador. Era uma imagem inusitada. Um mundo novo em que existe uma nova lua. Tudo parecia incerto e ambíguo. 'Há uma única coisa que eu posso afirmar', pensou. 'Independentemente do que aconteça comigo, jamais conseguirei contemplar o céu com duas luas como algo natural e cotidiano.'" - pág. 318.
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