Roberto Bolaño - O Terceiro Reich

Roberto Bolaño - O Terceiro Reich - Editora Companhia das Letras - 344 páginas - Lançamento 19/01/2011 - Tradução de Eduardo Brandão (ler aqui um trecho no site da editora).

Escrito originalmente em 1989 e lançado postumamente em 2010 pela editora espanhola Anagrama em Barcelona, como a maioria dos livros do hoje aclamado escritor chileno Roberto Bolaño (1953 - 2003), é mais uma incursão no estilo aberto e, de certa forma, mal acabado, que é uma das características dos seus textos mais longos, como 2666. Esta irregularidade de estilo, forjada ou não, combina com os temas preferidos de Bolaño, como a violência gratuita nas grandes cidades, o efeito melancólico do exílio em seus personagens e a falta de sentido da guerra.

A narração é feita em primeira pessoa, utilizando-se o recurso de um diário escrito pelo protagonista Udo Berger, jovem alemão que decide passar alguns dias de férias com a namorada, Ingeborg, em um hotel no litoral da Espanha. Udo é viciado em jogos de estratégia de guerra e aproveita o tempo livre para escrever e desenvolver táticas e variantes para um jogo chamado "O Terceiro Reich" que reconstitui os eventos históricos principais da Segunda Grande Guerra.

Com o progresso da narrativa, fica cada vez mais evidente a personalidade paranoica do jovem protagonista, principalmente nas relações que estabelece com um casal de turistas alemães, Charly e Hanna, a bela dona do hotel Frau Else, os vagabundos locais Lobo e Cordeiro e, principalmente, o misterioso e assustador Queimado com quem passa a disputar o jogo. Cada vez mais isolado Udo não consegue deter o próprio caminho de autodestruição que parece coincidir com os resultados do "Terceiro Reich"

A construção do romance em forma de diário provoca no leitor um constante questionamento sobre o que é real e imaginário na existência vazia e confusa do jovem Udo Berger. Cada capítulo se desdobra em novas possibilidades que nunca se esclarecem e, à medida que avançamos, juntamente com o personagem no seu universo de decadência física e psicológica, descobrimos como Bolaño consegue demonstrar com maestria o sentimento tão comum de solidão do nosso tempo.
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