domingo, abril 05, 2015

Veronica Stigger - Opisanie świata

Veronica Stigger - Opisanie świata - Editora Cosac Naify - 160 páginas - lançamento agosto 2013.

Em 2014 Veronica Stigger ganhou o prêmio São Paulo de Literatura e foi finalista do Portugal Telecom e Jabuti com este seu romance de estreia e título difícil ("descrição do mundo" em polonês). A autora utiliza diferentes estilos narrativos em primeira e terceira pessoa, linguagem fragmentada por anúncios de época e imagens de cartões postais, tudo isso em uma bem cuidada edição gráfica, como já é tradição nos livros da editora Cosac Naify. É bom ressaltar que o trabalho de Veronica não é somente criativo na técnica, mas também na pesquisa do argumento e na criação ou apropriação dos personagens, todos "estrangeiros", mesmo o brasileiro Bopp, inspirado no poeta Raul Bopp, emprestado do nosso movimento modernista, personagens sempre envolvidos em algum tipo de deslocamento ou deslocados do meio em que vivem. 

O romance tem como base a história de uma longa viagem, de trem e navio no final da década de trinta, da Polônia até a Amazônia. Opalka, é um polonês surpreendido por uma carta de Natanael, seu filho "internado em estado grave" que ele não sabia existir no Brasil e que pede para conhecê-lo. Ele decide atender ao pedido do filho e voltar à terra que havia abandonado na virada do século. Opalka conhece Bopp no início de sua epopéia e o mesmo irá acompanhá-lo em toda a trajetória. Na verdade, o argumento principal do romance é a própria viagem e todos os estranhos personagens em situações surrealistas que vamos conhecendo pelo caminho (uma espécie de "road movie") e não a relação entre Opalka e Natanael.

A Europa está prestes a ser destruída pela segunda Grande Guerra e a viagem de Opalka parece ser um caminho sem volta, mesmo que a Amazônia, já na década de trinta, também em vias de destruição, não represente mais a esperança de uma nova terra para os expatriados da Europa. Assim mesmo, Opalka é incentivado por Bopp, já no final do livro, a escrever suas experiências durante a viagem e o que encontrou no Brasil em um caderno de anotações que lhe dá de presente, um trecho bonito que resume tão bem o papel transformador da literatura em nossas vidas:
“— Tome — disse Bopp, estendendo-lhe um caderninho preto. — É um presente. Serve para fazer anotações. Para que o senhor escreva o que passou. Ajuda a superar. E a não esquecer. A gente escreve para não esquecer. Ou para fingir que não esqueceu. Bopp se calou e, depois de um tempo, acrescentou: — Ou para inventar o que esqueceu. Talvez a gente só escreva sobre o que nunca existiu.”
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