As 20 melhores distopias da literatura

Romances distópicos
Cena do filme Blade Runner de Ridley Scott (1982)

O século XX representou o fim da esperança em uma sociedade utópica. Afinal, depois de duas grandes guerras mundiais e do conflito gerado entre o capitalismo e a alternativa econômica do sistema político oferecido pela URSS, ficamos sem disposição para sonhos. A ameaça de governos repressivos e totalitários em todo o mundo inspirou a criação de obras distópicas que seriam uma antítese da utopia imaginada em séculos passados. Sendo assim, a visão pessimista do mundo acabou se refletindo na criação literária o que explica o desenvolvimento deste estilo tão popular entre a juventude atualmente, como podemos constatar nas séries adaptadas para o cinema como Jogos Vorazes, a trilogia divergente e tantas outras. 

É interessante notar como os acontecimentos cruéis deste início de século XXI, norteados pelo fanatismo religioso, os interesses das grandes corporações, as tragédias ambientais e atentados terroristas transformaram os romances distópicos em ingênuos contos de fadas. Ou seja, a utopia parece uma ideia vinda de um passado remoto e a distopia uma presença verdadeira em muitos países do mundo atual. Segue abaixo, em ordem cronológica, uma seleção das 20 melhores distopias na literatura, desde o trabalho de autores pioneiros e visionários como H. G. Wells, Aldous Huxley e Kafka (que perceberam muito cedo o que o futuro nos reservava) até os autores contemporâneos como Michel Houellebecq.

Romances distópicos
(01) A Máquina do Tempo (1895) - H. G. Wells

Reconhecido como um precursor do gênero de ficção científica e o primeiro romance a descrever uma viagem no tempo, um tema apaixonante que foi abordado inúmeras vezes na literatura e no cinema. A raça humana, no ano de 802.701 está dividida entre os pacíficos e ociosos Elóis e os selvagens e canibais Morlocks que vivem no subterrâneo. Sinopse da Editora: "A Máquina do Tempo apresenta a jornada de um cientista inglês a um mundo futuro, desconhecido e perigoso. O leitor irá acompanhar suas descobertas, deslumbramento e o horror que, aos olhos do viajante, aos poucos se anuncia."

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(02) O Tacão de Ferro (1908) - Jack London

Este livro revela um lado pouco conhecido do autor que acreditava na criação de um Estado socialista. O romance mistura os gêneros de ficção científica e militância política ao ponto de ter causado uma "profunda impressão" em Trotski. Sinopse da Editora: "O Tacão de Ferro transcende os gêneros literários tradicionais, justapondo ficção científica, polêmica social e romance. A habilidade estilística de London constrói uma narrativa em tempos múltiplos. O conteúdo do manuscrito é visto pelo editor fictício, que faz sua observações de rodapé apoiado na perspectiva do tempo futuro, como fato histórico."

Romances distópicos
(03) Nós (1924) - Evgueny Zamiatin

Tomando como base a experiência das revoluções russas de 1905 e 1917, descreve as impressões de um cientista sobre um Estado totalitário. Este foi o livro que provavelmente inspirou George Orwell para criar o clássico '1984.' Sinopse da Editora: "Muito mais do que uma obra política, 'Nós' insurge como um corajoso ataque ao totalitarismo que com suas mãos de ferro viola os direitos individuais, cor rompe as relações humanas, usurpa a liberdade do livre-pensar e agir, destrói a criatividade e violenta a arte em nome de idéias equivocadas sobre um suposto bem comum."

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(04) O Processo (1925) - Franz Kafka

"Alguém certamente havia caluniado Josef K. pois uma manhã ele foi detido sem ter feito mal algum", assim tem início o processo de Josef K., ou simplesmente K., detido sem nenhum motivo especial e julgado por um tribunal que desenvolve incompreensíveis inquéritos, uma das obras mais importantes e influentes de Franz Kafka (1883 - 1924) na literatura e que de certa forma profetizou o absurdo das prisões sem motivo, perseguições e extermínio em massa durante regime nazista. Ler resenha completa do Mundo de K clicando aqui.
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(05) Admirável Mundo Novo (1931) - Aldous Huxley

Na sociedade distópica imaginada por Aldous Huxley (1894 - 1963) no futuro, não existiriam casais nem a geração através de gravidez. Os bebês seriam gerados e alimentados em incubadoras. Sinopse da Editora: "Uma sociedade inteiramente organizada segundo princípios científicos, na qual a mera menção das antiquadas palavras 'pai' e 'mãe' produzem repugnância. Um mundo de pessoas programadas em laboratório, e adestradas para cumprir seu papel numa sociedade de castas biologicamente definidas já no nascimento."
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(06) A Revolução dos Bichos (1945) - George Orwell

Uma grande e inteligente sátira ao governo de Stalin e à utopia socialista. George Orwell (1903 - 1950) imaginou uma revolta dos animais em uma fazenda contra a exploração do homem. Liderados pelos porcos, os animais tentam criar uma sociedade utópica, no entanto acabam reproduzindo o comportamento corrupto dos homens em um sistema de governo totalitário. Sinopse da Editora: "A revolução dos bichos' combina de maneira feliz duas ricas tradições literárias - a das fábulas morais, que remontam a Esopo, e a da sátira política, que teve talvez em Jonathan Swift seu representante máximo."

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(07) 1984 (1949) - George Orwell

O romance se tornou um clássico ao descrever os abusos de controle do Estado na vida dos cidadãos. Muitas partes do enredo se tornaram famosas, como a imagem do "Big Brother". O objetivo do constante estado de guerra do governo imaginado por Orwell era o de manter o poder das classes altas, limitando o acesso à educação e aos bens materiais das classes menos favorecidas. Sinopse da Editora: "Ninguém escapa à vigilância do Grande Irmão, a mais famosa personificação literária de um poder cínico e cruel ao infinito, além de vazio de sentido histórico."

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(08) Eu, Robô (1950) - Isaac Asimov

O livro é formado por nove contos que têm como elo de ligação a evolução dos robôs ao longo do tempo. Isaac Asimov (1919 - 1992) imaginou as três leis da robótica, sendo a primeira delas a mais famosa e utilizada em outros argumentos de livros e roteiros de ficção científica: "um robô não pode ferir um ser humano ou, por inação, permitir que um ser humano sofra algum mal". Sinopse da Editora: "Verdadeiro marco na história da ficção científica, Eu, robô reúne os primeiros textos de Isaac Asimov sobre robôs, publicados entre 1940 e 1950."

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(09) Farenheit 451 (1953) - Ray Bradbury

Ray Bradbury (1920 - 2012) inventou um terrível mundo no qual os livros são proibidos e queimados, o povo mantido alienado por meio de programas interativos transmitidos continuamente por gigantescas telas de TV, objetos de consumo desta estranha sociedade. Na verdade, o mais assustador neste romance é que a situação desta aparente ficção científica é muito similar ao nosso cotidiano atual, seja pela superficialidade dos reality shows ou vazio das redes sociais. Ler a resenha completa do Mundo de K clicando aqui.

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(10) O Senhor das Moscas (1954) - William Golding

Um grupo de meninos, sobreviventes em uma ilha deserta, se organiza em uma sociedade à espera do resgate e perdem a noção de civilidade em uma selvagem luta pelo poder. Um argumento assustador que demonstra a perda da inocência devido à natureza do mal que existe em todos os seres humanos. Sinopse da Editora: "A nova tradução para o português mostra como Senhor das Moscas mantém o mesmo impacto desde o seu lançamento: um clássico moderno; um livro que retrata de maneira inigualável as áreas de sombra e escuridão da essência do ser humano."

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(11) Laranja Mecânica (1962) - Anthony Burgess

Anthony Burgess (1917 - 1993) criou o enredo ambientado na Inglaterra em um futuro próximo e no qual prevalece uma cultura de violência juvenil, o protagonista narra em primeira pessoa as suas ações violentas e o tratamento imposto pelas autoridades com a intenção de reformá-lo. Sinopse da Editora: "Meio século depois, a perturbadora história de Alex – membro de uma gangue de adolescentes que é capturado pelo Estado e submetido a uma terapia de condicionamento social – continua fascinando, e desconcertando, leitores mundo afora."

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(12) O Caçador de Andróides (1968) - Philip K. Dick

Lançado originalmente em 1968 com o título de "Androides sonham com ovelhas elétricas?", este romance de Philip K. Dick (1928 - 1982), um mestre da ficção científica tem como argumento a crise moral de um caçador de recompensas que persegue andróides numa San Francisco distópica do futuro. A obra foi adaptada para o cinema com o título de "Blade Runner" em 1982 por Ridley Scott e é considerada (com razão) uma das melhores produções já realizadas no tema de ficção científica. Ler a resenha completa do Mundo de K clicando aqui.

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(13) Neuromancer (1984) - William Gibson

Um romance que inaugurou uma nova categoria no gênero de ficção científica, chamada de "cyberpunk", introduzindo os conceitos de "inteligência artificial" e "cyberespaço" ao contar as desventuras de Case, um ex-hacker em busca de cura após ter sido envenenado pelos patrões. Sinopse da Editora: "No futuro, existe a matrix. Uma espécie de alucinação coletiva digital na qual a humanidade se conecta para, virtualmente, saber de tudo sobre tudo. Mas há uma elite que navega por essa grande rede de informação  os cowboys."
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(14) Oryx e Crake (2003) - Margaret Atwood

O mundo no futuro é habitado por criaturas biologicamente modificadas e tomadas pelo vício. O narrador é o Homem das Neves, um sobrevivente do antigo planeta. Sinopse da Editora: "Não é por acaso que as epígrafes escolhidas por Atwood para este livro citam Jonathan Swift, autor de As viagens de Gulliver, e Virginia Woolf, de Orlando e Rumo ao farol. Com a maestria de sempre, a autora consegue conjugar uma fábula fantástica, mórbida e cheia de ação, com personagens cujo mundo interior é misterioso e uma constante descoberta."
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(15) Não me Abandone Jamais (2005) - Kazuo Ishiguro

Seres humanos são criados para servirem como futuros doadores de órgãos, clones gerados e mantidos pela sociedade unicamente para esta finalidade. A sequência de cirurgias e recuperações terá quantidade e extensão dependentes apenas da resistência de cada doador. "Não me Abandone Jamais" é perturbador demais na reflexão que provoca sobre a existência e na descrição detalhada de uma prática que, assustadoramente, não está tão distante assim das "conquistas" científicas da nossa época. Ler resenha completa do Mundo de K clicando aqui.
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(16) A Estrada (2007) - Cormac McCarthy

A epopéia de um pai e seu jovem filho ao longo de um período de vários meses através de uma paisagem devastada por um grande desastre que destruiu a civilização e a maior parte da vida na Terra. Premiado com o Pulitzer Prize de 2006. Sinopse da Editora: "A Estrada representa uma mudança surpreendente na ficção de Cormac McCarthy e talvez seja sua obra-prima. Mais que um relato apocalíptico, é uma comovente história sobre amadurecimento, esperança e sobre as profundas relações entre um pai e seu filho."
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(17) A Guimba (2008) - Will Self

Um país-continente fictício, provavelmente inspirado na Austrália, é o cenário deste romance que tem como protagonista Tom Brodzinski, um típico turista americano em visita de férias com a família e que, ao lançar a guimba de seu derradeiro cigarro da varanda do quarto de hotel, deflagra uma série de eventos ao ferir acidentalmente um velho cidadão britânico naturalizado e casado com uma nativa. Estes eventos se sucedem rapidamente, enquanto Tom é envolvido em um processo judicial de proporções alarmantes. Ler resenha completa do Mundo de K clicando aqui.

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(18) Homem na Escuridão (2008) - Paul Auster

Um mundo paralelo onde, após as eleições presidenciais de 2000, os EUA sofrem um processo de secessão, com os estados abandonando a união e o início de uma sangrenta guerra civil. Sinopse da Editora: "E se a América não estivesse em guerra com o Iraque mas consigo própria? Nesta América, as Torres Gémeas não caíram e as eleições presidenciais de 2000 conduziram à secessão, com estado após estado a abandonar a união e uma sangrenta guerra civil a instalar-se. Este mundo paralelo é criado pela mente e coração perturbados de August Brill, um crítico literário vítima de insónias."

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(19) A Infância de Jesus (2013) - J.M. Coetzee

Um homem desembarca, juntamente com um menino, em um continente não identificado e em uma época não definida, juntos descobrem uma sociedade distópica e estatal, uma espécie de campo de refugiados no qual, diferente de outros cenários semelhantes da literatura, como '1984', o que impera é a ingenuidade e apatia dos moradores. Neste mundo, onde o idioma oficial é o espanhol, a falta de emoções mais fortes e, até mesmo o impulso sexual, é exasperante para o recém-chegado que questiona os valores da sociedade local. Ler resenha completa do Mundo de K clicando aqui.

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(20) Submissão (2015) - Michel Houellebecq

Submissão parte do cenário político real da França na atualidade em direção a uma situação fictícia projetada por Houellebecq para um futuro próximo, em 2022, quando, após dois mandatos consecutivos do atual presidente François Hollande, as eleições presidenciais são vencidas por Mohammed Ben Abbes, o candidato do imaginário Partido da Fraternidade Muçulmana em disputa com a Frente Nacional de ultradireita, liderada por Marine Le Pen. Ler resenha completa do Mundo de K clicando aqui.
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