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Mostrando postagens de Maio, 2016

Tradição e modernidade nas ilustrações de Yohey Horishita

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Yohey Horishita é um ilustrador japonês que reside em Nova York. Ele domina uma técnica muito semelhante à de Yuko Shimizu (ler aqui postagem do Mundo de K), desenhando os contornos à mão com tinta nanquim, digitalizando em seguida o desenho e finalizando as cores com ferramentas de editoração eletrônica como o photoshop. A ilustração acima foi criada para um artigo do jornal Yomiuri e representa Sotatsu Tawaraya, um influente pintor japonês do início do século XVII que acrescentou características humanas às representações divinas. Para visualizar melhor os detalhes (e são realmente muitos detalhes), cliquem nas imagens para ampliá-las.

Já a imagem acima, criada para outro artigo do mesmo jornal, representa Goemon Ishikawa, uma espécie de Robin Hood japonês, herói folclórico fora da lei que roubava dos ricos para dar aos pobres no final do século XV. Ele foi capturado e cozinhado vivo após o fracasso da sua tentativa de assassinar o Imperador (Shogun). A lenda reza que a tigela de páss…

Mia Couto - Cada homem é uma raça

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Mia Couto - Cada homem é uma raça - Editora Companhia das Letras - 200 páginas - Lançamento  no Brasil: 11/04/2013.
No momento em que desembrulho minhas lembranças dos onze contos desta coletânea, publicada originalmente em 1990, penso em escrever uma resenha que permita aos leitores sobressonhar com a parecença do texto, usando um pouco da linguagem inventada pelo moçambicano Mia Couto. Pescando uma palavra aqui e outra ali da prosa mágica do autor, tento mostrar um pedacinho do seu mar de poesia no onduralarque seus sonhos imaginadavam, mas acabo ficando imovente e receio desconseguir completar a tarefa, um verdadeiro drible nos corretores ortográficos. Contudo, nesse enquanto, vem andarilhar comigo no desfolhar das tardese conhecer uma imagem forte da sofrência do povo africano, uma terra sem dúvida devastada pelas guerras e ganância dos colonizadores, mas onde ainda sobrevive a esperança no espírito livre do homem, pelo menos na literatura de Mia Couto.

Segundo alerta o personagem G…

Svetlana Aleksiévitch - Vozes de Tchernóbil

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Svetlana Aleksiévitch - Vozes de Tchernóbil - Editora Companhia das Letras - 384 páginas - Tradução direta do russo de Sônia Branco - Lançamento 19/04/2016.
Quando soube da escolha da escritora e jornalista bielorussa Svetlana Aleksiévitch para o prêmio Nobel de Literatura de 2015, logo imaginei que a Academia estaria priorizando mais uma vez algum tipo de mensagem política em detrimento da própria literatura. Essa opinião devia-se, em parte, ao desconhecimento do trabalho da autora, inédita em nosso país até aquele momento e também pelo fato de um trabalho jornalístico documental sobre fatos reais, por mais importantes que tenham sido, não ser comparável a um texto literário de ficção. Bem, eu estava redondamente enganado. O livro representa um texto jornalístico sem dúvida, mas a literatura transborda de cada página, com a força e o sofrimento do povo soviético, assim como em um romance de Dostoiévski.

A extensão da catástrofe de Tchernóbil ainda é pouco conhecida no ocidente. A Centr…

O humanismo na fotografia de Werner Bischof

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Werner Adalbert Bischof (1916 - 1954) é um dos nomes mais importantes na história do fotojornalismo. Ele estudou design gráfico e fotografia de 1932 a 1936 com Hans Finsler, mestre do movimento da Nova Objetividade, na Escola de Artes e Ofícios de Zurique e, em seguida, abriu um estúdio de fotografia e publicidade. Em 1942 se tornou um freelancer da área de modas para a revista Du, que publicou seus primeiros grandes ensaios fotográficos em 1943. Bischof recebeu reconhecimento internacional após a publicação em 1945 de sua reportagem sobre a devastação causada pela Segunda Guerra Mundial. 
Nos anos seguintes, Bischof viajou na Itália e Grécia para a Swiss Relief, uma organização dedicada à reconstrução no período pós-guerra. Em 1948, ele fotografou os Jogos Olímpicos de Inverno em St Moritz para a revista Life e trabalhou para as publicações Picture Post, The Observer e Illustrated em viagens à Europa Oriental, Hungria, Finlândia, Suécia e Dinamarca. Ele foi o primeiro fotógrafo a se j…

Enrique Vila-Matas - Ar de Dylan

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Enrique Vila-Matas - Ar de Dylan - Editora Cosac Naify - 320 páginas - Tradução de José Rubens Siqueira - Lançamento 2012
É bom que se diga logo de início que este não é um romance de entendimento simples ou de uma única interpretação, bem como nem um pouco fácil de se resenhar. A narrativa não segue uma estrutura linear e os personagens, a maioria deles escritores, roteiristas ou críticos literários, parece confusa em suas opções e dilemas artísticos ou pessoais. Em algumas passagens, situações absurdas e teatrais são inseridas ao texto, flertando um pouco com o movimento surrealista de André Breton ou o existencialismo de Sartre. Está sempre presente o dilema de todo autor em abandonar as "máscaras modernas" e ser "o mais autêntico possível" ou transformar-se por meio de múltiplos heterônimos, com mudanças de personalidade e alternando ficção e realidade. Bob Dylan funciona aqui como um símbolo das transformações, muitas vezes contraditórias, mas necessárias na bu…

Objeto de Desejo

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Clarice Lispector - Todos os Contos - Editora Rocco - 656 páginas - Lançamento previsto pela Editora para 06/05/2016, já em pré-venda nos sites da Livraria Cultura e Livraria da Travessa.
Um Objeto de Desejo muito especial, primeiro porque resgata uma dívida cultural com a obra de Clarice Lispector ao reunir em um inédito e único volume todos os seus 85 contos em ordem cronológica. Adicionalmente, a autora recebe, também pela primeira vez no Brasil, um projeto gráfico compatível com a sua importância, uma vez que a edição nacional em capa dura respeita a versão lançada no mercado editorial dos EUA, que foi escolhida como uma das 12 melhores capas do ano pelo New York Times. Finalmente, uma chance para as novas gerações de leitores brasileiros conhecerem a obra de uma das maiores escritoras do século XX, esquecendo as citações apócrifas que circulam na internet em seu nome.

Na verdade, o sucesso nos EUA em 2015 deveu-se, em grande parte, ao esforço do biógrafo Benjamin Moser que, em agos…

20 coisas que todo leitor compulsivo detesta ouvir

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O site Goodreads solicitou em suas páginas do Facebook e Twitter que os leitores respondessem ao seguinte questionamento: "O que você nunca deve dizer para um apaixonado por livros?". Assim como outras pesquisas do Goodreads, esta também foi um sucesso e obteve grande retorno. Segue abaixo a seleção das 20 respostas mais criativas em tradução livre. Qual você considera a mais irritante?

(01) "Pare de comprar livros. Você já tem o suficiente."

(02) "Eu nunca tenho tempo para ler. Deve ser bom ter tanto tempo livre!"

(03) "Eu perdi aquele livro que você me emprestou."

(04) "Pode me emprestar este livro?"

(05) "Eu odeio interrompê-lo enquanto você está lendo, mas..."

(06) "Eu nunca li o livro, mas ouvi dizer que o filme foi melhor..."

(07) "Por que ler o livro se você pode simplesmente aguardar pelo filme?"

(08) "Como você pode ler isto? Não há imagens!"

(09) "Por que você está relendo o livro?"

(10…
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