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Hilda Hilst - Da poesia

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Hilda Hilst - Da poesia - Editora Companhia das Letras - 584 Páginas - Lançamento: 13/04/2017.
Um livro absolutamente imperdível. Tão pouco conhecida, a poesia de Hilda Hilst (1930-2004) finalmente começa a ganhar o merecido lugar de destaque na literatura brasileira. Todos os seus poemas lançados em 25 livros, desde "Presságio", de 1950, até "Cantares do sem Nome e de Partidas", de 1995, reunidos em um único volume, em uma bem cuidada edição que conta com desenhos da própria Hilda, posfácio de Victor Heringer, texto de Lygia Fagundes Telles, carta de Caio Fernando Abreu para a autora e uma entrevista que Hilda concedeu a Vilma Arêas e Berta Waldman, publicada originalmente no Jornal do Brasil em 1989. Finalmente uma seleção de versões e esboços de poemas inéditos, recolhidos na Casa do Sol e na Unicamp. Uma obra que se lê com prazer do início ao fim, mas que deve ser relida aos poucos, uma espécie de livro sagrado (e profano) para nos acompanhar por toda a vida.

Hil…

As 20 obras mais importantes da literatura argentina

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Existe uma tendência de associarmos a literatura argentina com o gênero fantástico tão presente na obras de Borges e Cortázar, mas esta seria uma definição simplista, algo como limitarmos a nossa própria tradição literária somente a Machado de Assis e Clarice Lispector. Na verdade, precisamos admitir que os nossos hermanos têm um peso e uma diversidade cultural invejável na América Latina, independente de qualquer rivalidade existente e, de certa forma, natural entre nações vizinhas. Vale lembrar que toda lista é incompleta, assim como alguns dos autores talvez merecessem a inclusão de mais de um título, mas o propósito é de divulgação e obviamente não pretende ser definitivo. Segue, em ordem cronológica de lançamento, as obras mais destacadas dos autores argentinos.

(01) Facundo (1845)
        Domingo Faustino Sarmiento (1811-1888)

O livro, considerado um marco inaugural da literatura argentina, foi escrito no exílio, no Chile, durante o governo do ditador Juan Manuel de Rosas (1829-52)…

Elizabeth Catlett — força, dignidade e beleza

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A obra de Elizabeth Catlett (1915-2012) é uma constante afirmação de força, dignidade e beleza. Neta de escravos libertos, Catlett alcançou reconhecimento mundial como uma das maiores artistas modernistas norte-americanas, utilizando técnicas abstratas e figurativas, tanto em suas ilustrações quanto esculturas, para representar a herança cultural dos descendentes afro-americanos, principalmente mulheres, vivendo nos EUA. O seu trabalho tem influência também da arte mexicana, país onde ela viveu por vinte anos, tornando-se chefe do departamento de escultura da Escola Nacional de Artes Plásticas da cidade do México.

A artista tinha consciência política de seu papel na sociedade e costumava dizer que o principal objetivo de sua arte era transmitir mensagens de cunho social e não somente estética. De fato, ao olharmos as suas criações é impossível dissociar a beleza das imagens das questões de raça, gênero e classe, tão comuns em nosso continente. A composição de imagens acima ilustra bem …

O pai, as filhas e o pinto — um conto de Carlos Heitor Cony

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Carlos Heitor Cony - Quinze Anos - Editora Nova Fronteira - 128 Páginas Relançamento 2014 (publicado originalmente em 1965)
Uma antologia com deliciosos contos sobre a infância e a juventude. As narrativas, sempre bem-humoradas e sensíveis, descrevem o relacionamento de um pai e suas duas filhas, tendo como base fatos verídicos ocorridos com Regina Celi e Maria Verônica, filhas do primeiro dos seis casamentos do escritor. O livro deixa um sabor de saudade de uma época romântica na cidade do Rio de Janeiro, onde havia mais tempo e espaço para as coisas simples da vida, nem sempre "politicamente corretas", como comprar pintos na feira e fazer todas as vontades da filha mimada.

O pai, as filhas e o pinto (Carlos Heitor Cony)
     — Papai, se eu pedir uma coisa o senhor dá?
     A primeira e mecânica vontade é dizer que dava. Mas resolve valorizar.
     — Bom, quer dizer, depende...
     — Não é nada do que o senhor está pensando. Não é roupa, nem doce, nem passeio, nem presente, nem fa…

Nova revista literária quatro cinco um

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A boa notícia é que, em meio ao caos político e econômico que assola o país, ainda existe espaço para o lançamento de uma revista literária. O primeiro número da Quatro cinco um, editada por Fernanda Diamanti e Paulo Werneck, foi publicado em maio com tiragem inicial de 35 mil exemplares e destaque de capa para o fenômeno editorial Elena Ferrante, em artigo "A escritora genial" da professora da USP Eliane Robert Moraes. Segundo Paulo Werneck, em entrevista para o Estadão, a publicação seguirá o modelo das consagradas London Review of Books e The New York Review of Books. A iniciativa chega em um bom momento porque a publicação de resenhas tem sido cada vez menos frequente nos cadernos de cultura dos jornais nacionais.

O título da revista é uma homenagem ao famoso romance Fahrenheit 451 de Ray Bradbury (1920-2012) que imaginou uma sociedade distópica onde os livros seriam proibidos e queimados no futuro, ficando o povo mantido alienado através de programas interativos transmit…

Carlos Ruiz Zafón - A Sombra do Vento

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Carlos Ruiz Zafón - A Sombra do Vento - 400 Páginas - Editora Objetiva, Selo Suma de Letras - Tradução de Marcia Ribas (Lançamento no Brasil: 01/05/2007).
Por mais absurdo que possa parecer, sabemos que o sucesso de vendas nem sempre reflete a qualidade literária de um lançamento. Na verdade, na maioria das vezes, ocorre justamente o contrário, ou seja, quanto melhor o desempenho como best seller tanto pior a avaliação crítica da obra e nem há necessidade de citarmos exemplos de tão recorrente se tornou este fenômeno no mercado editorial, não só no Brasil, diga-se de passagem. Logo, é natural que um romance como "A Sombra do Vento", que já ultrapassou a invejável soma de 6,5 milhões de exemplares vendidos em todo o mundo, desperte o nosso ceticismo e desconfiança.

Felizmente, Carlos Ruiz Zafón nos prova que é possível obter sucesso de público sem negociar a originalidade ou fazer concessões de mercado. "A Sombra do Vento" faz parte daquela tradição de romances de ave…

As ilustrações de Kiyohiko Azuma, ou quando a arte do croquis urbano encontra o mangá

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Uma excelente matéria do site de cultura japonesa Spoon & Tamago foi publicada esta semana sobre Kiyohiko Azuma, um desenhista de mangá muito popular no Japão por ter criado uma série com um personagem de 5 anos chamado Yotsuba. Nestas publicações, o protagonista é normalmente desenhado em um estilo de mangá ou cartoon, mas com um cenário representado por uma técnica realista muito sofisticada, ilustrações que podem ser isoladas como trabalhos de croquis urbanos (urban sketches). O artista mantém um blog com várias de suas ilustrações intercaladas por citações de escritores, vale a pena visitar, foi lá que selecionei apenas alguns exemplos.

Sobre o tema croquis urbano, vale a pena conhecer a Urban Sketchers (USK), uma organização sem fins lucrativos dedicada à divulgação dos desenhos e ilustrações locais, promovendo a sua prática e conectando pessoas em todo o mundo. Quem já visitou alguma cidade japonesa irá reconhecer imediatamente alguns dos temas representados nesta postagem, s…

Radiohead - 20 anos de OK Computer

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Para comemorar os 20 anos de lançamento de um dos álbuns mais importantes da história do Rock, o Radiohead lançou novas versões de "OK Computer" com som remasterizado, três canções inéditas e o lado B de oito de seus singles da época. No site especial comemorativo da banda já existem opções para pré-venda em três discos de vinil ou dois CDs, as encomendas podem ser feitas agora no site, mas as versões físicas assim como a versão digital só estarão disponíveis à partir de 23 de junho.

Terceiro álbum na discografia da banda, em sequência a "Pablo Honey (1993)" e "The Bends (1995)", "OK Computer (1997)" é um trabalho conceitual, mas sem os exageros sinfônicos e viagens delirantes (muitas vezes entediantes) das bandas progressivas dos anos setenta como Yes, Genesis e Gentle Giant. Os arranjos do Radiohead utilizam muitas guitarras raivosas e recursos eletrônicos, alternados por delicadas passagens acústicas de piano e violão como nas belíssimas "…
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