Bernardo Carvalho - Mongólia

Literatura brasileiraBernardo Carvalho - Mongólia - Editora Companhia das Letras - 187 páginas - publicação 2003.

Antes de mais nada, aproveito a oportunidade para divulgar o blog que Bernardo Carvalho está escrevendo da cidade de São Petersburgo por conta do projeto Amores Expressos, patrocinador do diário de bordo de alguns autores da literatura nacional ao redor do mundo. Como o próprio Bernardo Carvalho afirma em sua primeira postagem neste projeto: "Não é que não goste; eu detesto blog", logo é interessante conferir como um autor novo, porém já consagrado pela crítica, consegue lidar com esta ferramenta maldita.

O romance "Mongólia" foi vencedor dos prêmios APCA (2003) e Jabuti (2004), custeado por uma bolsa criada pela editora portuguesa Livros Cotovia e pela Fundação Oriente, de Lisboa. Para escrever este livro, mistura de diário de viagem e ficção, Bernardo Carvalho percorreu, durante dois meses, cinco mil quilômetros pelo interior da Mongólia.

Um diplomata brasileiro recém-chegado à China é encarregado, contra a sua própria vontade (só saberemos o motivo ao final do livro), de descobrir o paradeiro de um jovem fotógrafo desaparecido um ano antes nos montes Altai.

A narrativa tem como base dois diários, um deixado pelo jovem fotógrafo e outro escrito pelo diplomata durante a sua busca. O romance mistura as narrativas de viagem do próprio Bernardo Carvalho, incluindo descrições sobre a história e a realidade econômica e política da Mongólia. 

O trecho a seguir é um exemplo desta análise: "O passado, quando não se perdeu, agora são lendas e suposições nebulosas. eles não tem outro uso para a imaginação. Durante séculos os lamas se encarregaram de imaginar por eles. Durante setenta anos, o partido se encarregou de lembrar por eles, no lugar deles. Agora, lembrar é imaginar. Às vezes prefiro quando dizem que não sabem ou não se lembram de nada."

As impressões do protagonista/autor sobre a natureza hostil e os nômades mongóis são também bastante interessantes, pois este ambiente de estepes, desertos e montanhas, com as suas dificuldades características de integração é que acabam aproximando, pelo isolamento, o desaparecido e o diplomata no decorrer da história.
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