História do Pranto - Alan Pauls

Literatura argentinaAlan Pauls - História do Pranto - Editora Cosac Naify - 85 páginas - Publicação 2008 - Tradução de Josely Vianna Baptista.

O argentino Alan Pauls utiliza neste seu último e curto romance o contraste entre as experiências de um menino hiper-sensível de 4 anos, filho de pais separados, e a realidade brutal da história da esquerda argentina dos anos 70. Alan Pauls mistura todo o tempo as sensações e experiências de vida do protagonista em diversas épocas e situações, mas sempre partindo do ponto de vista das lembranças de uma criança. Assim não sabemos nunca até que ponto as distorções da sua memória confundem sonho e realidade. O autor utiliza blocos narrativos, ao estilo de Saramago, unindo parágrafos em longas sequências de digressões. A sensibilidade do pequeno protagonista é destacada pelo seu interesse na fragilidade humana que tem como constatação, em sua mente infantil, a fraqueza do Super-Homem diante da kriptonita, lembrança da nossa vulnerabilidade: "Se existe algo realmente excepcional, isso é a dor" nos ensina o protagonista e também no seguinte trecho: "A dor é sua educação e sua fé. A dor o torna crente. Acredita apenas, ou sobretudo, naquilo que sofre".

Alan Pauls em entrevista à revista Cult On-line define a estratégia narrativa do protagonista:

"O herói da novela não é exatamente um menino, é um mutante. Às vezes tem 4 anos quando começa a frase, 12 quando está no meio e 25 quando completa. Tudo que há no menino aparece sempre culto, interpretado e até fingido desde o presente, mas tudo que se passa agora, quando tem 30 anos ou mais, aparece de algum modo profetizado desde o passado. Esse vai e vem entre tempos distintos foi o que mais me interessou a escrever o livro. Creio que é assim,indo e vivendo, recordando e esquecendo, antecipando e deformando, como experimentamos nossa própria vida".
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