Ernesto Sabato - El Túnel

Este é um daqueles clássicos tão essenciais que recomenda-se ler no idioma nativo sob pena de correr o risco do efeito "lost in translation". Não é uma tarefa das mais complexas, visto que o argentino Ernesto Sabato não precisou de mais de 150 páginas e um vocabulário clássico/básico em espanhol para escrever, em 1.948, um dos romances psicológicos mais bem construídos e intensos da história da literatura. Para aqueles que preferirem passar por esta aventura no bom e velho idioma português, está disponível uma edição traduzida lançada em 2.000 pela Companhia das Letras.

Sabato parte de uma narrativa em primeira pessoa para contar a história de solidão, loucura e crime de seu protagonista, o pintor Juan Pablo Castel que, já no parágrafo de abertura do romance, confessa o assassinato de María Iribarne, a mulher casada por quem tinha se apaixonado perdidamente. O conturbado relacionamento é descrito e explicado por Castel à partir de sua própria visão existencial, a visão de um homem isolado em seu próprio mundo, atravessando o túnel de sua vida, só e incomunicável. Nunca fica claro, apesar do raciocínio analítico do protagonista, se ele tem algum tipo de razão por seu sentimento desenfreado de possessão e ciúme que termina de forma trágica.

O documentário "Ernesto Sábato, Mi Padre", recentemente lançado na Argentina e dirigido pelo seu filho Mario Sabato mostra o maior escritor vivo argentino em família e apresenta algumas declarações memoráveis, como esta: "O relacionamento que tenho com meus netos é muito diferente do que tive com meus filhos". Mario Sabato resume de outra forma mais direta: "Meu pai proporcionava as tempestades. Minha mãe, os amanheceres". Vale lembrar também a importância da atuação política do escritor na redemocratização da Argentina, tendo preparado o relatório "Nunca Más", que reuniu provas sobre a ditadura argentina em 1984. O relatório é conhecido como "Informe Sabato".

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