Marianne Moore

Poesia
Marianne Moore - Poemas - Editora Companhia das Letras - 208 páginas - Tradução e Posfácio de José Antonio Arantes - Lançamento 1991.

Marianne Moore (1887-1972) marcou a poesia norte-americana com a sua originalidade que aproximou a poesia  e prosa  conquistando poetas importantes da sua geração como Ezra Pound, T. S. Eliot, William Carlos Williams ou Wallace Stevens e também influenciou gerações de poetas posteriores como W. H. Auden, Elizabeth Bishop e o nosso João Cabral de Melo Neto. Por tudo isso foi definida pela crítica como "poetisa dos poetas", apesar de detestar chamar atenção e apresentar sempre um comportamento humilde. Ela recebeu o National Book Award por Collected poems publicado em 1951.

A sua poesia de verso livre e metrificação silábica , com e sem rima, cheia de imagens é sempre surpreendente. Quando Moore morreu, Ezra Pound encomendou uma missa em sua memória, durante a qual leu os versos de "What are years": "o próprio pássaro / que ao cantar se engrandece, acera / o corpo aprumado"; "quão puro é o regozijo. / Isto é mortalidade, / isto é eternidade".

What Are Years?
(Marianne Moore)

   What is our innocence,
what is our guilt? All are
   naked, none is safe. And whence
is courage: the unanswered question,
the resolute doubt,—
dumbly calling, deafly listening—that
in misfortune, even death,
      encourages others
      and in its defeat, stirs

   the soul to be strong? He
sees deep and is glad, who
   accedes to mortality
and in his imprisonment rises
upon himself as
the sea in a chasm, struggling to be
free and unable to be,
      in its surrendering
      finds its continuing.

   So he who strongly feels,
behaves. The very bird,
   grown taller as he sings, steels
his form straight up. Though he is captive,
his mighty singing
says, satisfaction is a lowly
thing, how pure a thing is joy.
      This is mortality,
      this is eternity.

O Que São os Anos?
(Tradução de José Antonio Arantes)

   O que é nossa inocência,
nossa culpa? Frágeis, somos,
   vulneráveis. E de onde vem a
coragem: a pergunta sem resposta,
a resoluta dúvida, —
muda chamando, surda ouvindo — que
no infortúnio, na morte mesmo,
      encoraja outras ainda
      e em sua derrota anima

   a alma a ser forte? Compraz-se
e com perspicácia vê
   quem a mortalidade abrace
e no confinamento contra si
mesmo se volte, assim
como o mar que no abismo intenta ser,
livre mas, incapaz de ser,
      no ato de capitular
      encontra seu perdurar.

   Quem no sentimento espera
assim age. O próprio pássaro,
   que ao cantar se engrandece, acera
o corpo aprumado. Embora cativo,
seu poderoso trino
diz: o contentamento é humilde;
quão puro é o regozijo.
      Isto é mortalidade,
      isto é eternidade.
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