Henry James - A outra volta do parafuso

Literatura
Henry James - A outra volta do parafuso - Editora Companhia das Letras - Selo Penguin Companhia - 200 páginas - Tradução de Paulo Henriques Britto - Posfácio de David Bromwich - lançamento 01/07/2011.

Publicado originalmente em 1898 este pequeno romance, ou novela, de Henry James (1843 - 1916) logo se tornou um clássico e precursor da literatura de horror.  No entanto,  diferente  de outros autores(as) em língua inglesa que provavelmente o influenciaram como Edgar Allan Poe (1809 - 1849) e Mary Shelley (1797 - 1851), o seu estilo é menos explícito e mais psicológico, se concentrando na relação e nos efeitos  do sobrenatural com seus personagens. Como sempre a bem cuidada edição do Selo Pengin Companhia valoriza o livro com cronologia e posfácio de David Bromwich, professor de literatura da Universidade de Yale e crítico da The New York Review of Books.

A narrativa de A outra volta do parafuso é construída de forma indireta através da leitura de um manuscrito deixado por uma governanta que conta os fatos ocorridos ao cuidar de duas crianças orfãs em uma casa de campo no interior da Inglaterra, a pequena Flora de oito anos e seu irmão mais velho Miles de dez, expulso da escola por motivos desconhecidos. Ela vê aparições na propriedade que vem a descobrir serem de dois ex-funcionários, a governanta anterior, srta. Jessel e o perverso Peter Quint que  trabalhava como uma espécie de secretário do proprietário. Ambos morreram sob condições misteriosas e aparentemente mantinham um caso. O estranho comportamento de Flora e Miles leva a governanta a deduzir que os fantasmas exercem uma influência moral sobre os irmãos  e o desenvolvimento de uma verdadeira obsessão sobre a necessidade de evitar esta influência a qualquer custo para a salvação das crianças. A prosa de Henry James avança aumentando o clima de tensão psicológica até o desfecho surpreendente.

O ponto chave em toda a narrativa é o fato de que as referidas aparições não são testemunhadas pelas crianças ou por qualquer outra pessoa da casa, exceto pela governanta, fazendo com que o leitor passe a suspeitar da sanidade mental da narradora, mesmo  não tendo ela meios de conhecer os detalhes das aparências dos ex-funcionários de nenhuma outra forma. Henry James, por meio de detalhes conflitantes, alimenta esta ambiguidade até a conclusão inesperada do romance. Uma interpretação alternativa, apoiada por vários críticos, é de que Henry James estaria, ao utilizar esta alegoria, criticando a repressão sexual da época vitoriana com o caráter histérico da narradora, mas esta versão jamais foi admitida pelo autor em seus diários, tendo afirmado mesmo em carta à H. G. Wells ter escrito o livro  apenas para ser uma espécie de best seller da época, difícil de acreditar.
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