No Direction Home - A vida e a música de Bob Dylan

Robert Shelton
No Direction Home - A vida e a música de Bob Dylan - Robert Shelton - Editora Larousse - 768 páginas - Tradução de Gustavo Mesquita - Lançamento no Brasil em 2011 (Edições originais: 1986 / 2010).

Tenho lido, ao longo dos anos, muitas publicações e matérias sobre Bob Dylan, incluindo biografias, resenhas e análises críticas e posso garantir que a maioria do material escrito sobre ele, direta ou indiretamente, tem como origem este livro de Robert Shelton, publicado originalmente em 1986, principalmente no que se refere ao período inicial da carreira de Dylan, desde a sua chegada em Nova York, no ano de 1961, até a primeira grande mudança radical em sua carreira quando ele trocou a música folk acústica de protesto pelas guitarras e distorções do rock nos idos de 1966. O principal motivo para a credibilidade desta biografia é que Robert Shelton, que trabalhou como colunista do New York Times entre 1958 e 1968, estava lá quando tudo começou e também foi o crítico que primeiro chamou a atenção para o trabalho de Dylan elogiando suas pequenas apresentações nos cafés de Nova York. Mais uma evidência da importância deste livro é que o documentário de Martin Scorsese, muito bom por sinal, que cobre a fase inicial da carreira de Dylan, foi lançado em 2005 com o mesmo título, No Direction Home.

Esta tradução tem como base a edição comemorativa, lançada nos EUA em 2010, pelos setenta anos de Dylan, uma edição que ampliou o original de Robert Shelton, falecido em 1995, e foi revisada pelos editores Elizabeth Thomson e Patrick Humphries que acrescentaram notas e cronologia, além de recuperar algumas partes do manuscrito original de Shelton. Um livro de 786 páginas e que pode obviamente ser um pouco pesado para os iniciantes em Dylan, mas é fascinante para aqueles que acompanharam as diferentes fases de sua carreira sempre surpreendente. Existem algumas falhas de revisão nesta versão brasileira que não chegam a comprometer o entendimento ou o trabalho do tradutor, mas eu tenho certeza de que serão corrigidas nas próximas edições

Sou uma pessoa absolutamente suspeita para resenhar qualquer livro escrito sobre Bob Dylan, cuja importância, na minha opinião, transcende em muito o cenário da música pop e rock e que influiu fortemente na política e sociedade do século XX, defendendo causas contra a segregação racial ou contestando a participação americana na guerra do Vietnan. O valor literário de suas letras é também hoje inquestionável e Robert Shelton foi um dos primeiros críticos a compará-lo a Rimbaud, Yeats, Robert Graves e Allen Ginsberg.

Robert Shelton é antes de mais nada um dos maiores fãs de Dylan e isto fica claro em várias passagens desta biografia, como na belíssima introdução:  
"Esta é a história de um poeta e músico nascido e renascido vezes a fio, que 'morreu' diversas 'mortes' e ainda assim continuou a viver. É a história de um herói popular que negou o próprio heroísmo, de um rebelde que desafiou a sua cultura com tal eloquência que ajudou a construir uma contracultura, e que então se voltou contra os excessos do que ajudou a criar. Esta é a crônica da mudança, do desafio à tradição inquestionável e da própria tradição da mudança. Esta é a tentativa de contar a verdade a respeito de um criador de mitos, um apropriador de mitos, um destruidor de mitos. Se os mitos são sonhos públicos e os sonhos mitos privados, então esta história tentará mostrar um poeta da canção que se tornou um sonhador público que transformou em mito os sonhos e pesadelos de uma geração".
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