Flavio Quintale - Os Peppini

Literatura brasileira
Flavio Quintale - Os Peppini - 332 páginas - Editora Vieira da Silva (Lisboa, Portugal) - Lançamento 2012.

Segundo Leon Tolstói nos ensinou na famosa introdução de Anna Karenina: "Todas as famílias felizes são parecidas entre si. As infelizes cada uma a sua maneira". Esta ficção de estreia de Flavio Quintale parece comprovar a afirmação de Tolstói ao narrar a trajetória de quatro gerações da família Peppini no Brasil, tendo como pano de fundo a nossa própria história durante o século XX. 

Os Peppini são realmente infelizes à sua própria maneira, seja em conflitos internos, movidos pela ambição ou até mesmo pela mútua antipatia como, por exemplo, entre sogras e noras, eles buscam encontrar o seu lugar no mundo, sempre perseguidos por ilusões ou desilusões.

O romance é um bom símbolo da nossa capacidade de miscigenação, prática genuinamente brasileira, que originou tantas famílias como esta, decorrente do improvável encontro de Giovanni Peppini, imigrante italiano de Nápoles, com Anna Schneider, filha de alemães. Os dois filhos já integralmente brasileiros, mas bem diferentes entre si, Cláudio e Pancrácio, desenvolvem suas próprias famílias. Difícil dizer o quanto de autobiográfico tem o livro já que o autor, Flavio Quintale, ele próprio um descendente italiano, nascido em 1976 em São Paulo é também um exemplo de adaptação, exercendo atualmente a função de professor de literatura na Universidade de Aaachen na Alemanha, onde reside com a mulher e os filhos.

Quintale demonstra habilidade em manter o interesse do leitor com um tema de formação pouco abordado na literatura contemporânea (Bildungsroman), mas com base em personagens convincentes e desenvolvido em uma narrativa ágil que prende sempre o interesse do leitor ao longo das reviravoltas da trama.
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