As melhores capas de 2017

Literatura

Quem nunca comprou um livro influenciado pelo design, ilustração ou acabamento? Certamente este foi, no mínimo, um critério de desempate quando tivemos que enfrentar as terríveis limitações de orçamento do ano passado. Aqui está uma lista das melhores capas lançadas no mercado brasileiro em 2017 em ordem cronológica, provando que os nossos profissionais desta área não ficam nada a dever aos estrangeiros. Nesta seleção de dez projetos gráficos, limitei as escolhas a um livro por editora de forma a nivelar a influência do poder econômico dos grupos mais fortes.

As melhores capas de 2017
Herman Melville - Jaqueta Branca - Editora Carambaia 
Lançamento: Janeiro/2017

Que ótimo constatar que ainda existe espaço para editoras brasileiras novas e preocupadas com o acabamento gráfico, herdeiras do bom gosto da extinta Cosac Naify. Sem dúvida é o caso da Carambaia, uma casa que "publica livros de ficção e ensaios com dedicação à produção de edições bem cuidadas na forma e no conteúdo, em pequenas tiragens". Só uma imagem é pouco para ilustrar o projeto deste livro,  até então inédito no Brasil. Recomendo visitar o site da Carambaia e esta matéria do blog da editora para maiores detalhes sobre o processo de cianotipia.

Sinopse da Editora: "No dia 17 de agosto de 1843, Herman Melville (1819-1891) embarcou na fragata USS United States, em Honolulu, no Havaí. Depois de ter trabalhado em barcos baleeiros, o jovem de 24 anos engajava-se como marinheiro do navio de guerra considerado o mais rápido da frota americana da época. A experiência como marujo durou 14 meses, marcou o fim do seu período de aventuras marítimas e o inspirou a escrever, em 1850, o livro Jaqueta Branca ou O mundo em um navio de guerra, que antecedeu sua obra mais conhecida, Moby Dick. Inédito no Brasil, o livro foi traduzido por Rogério Bettoni."

As melhores capas de 2017
Virginia Woolf - A Arte da Brevidade - Editora Autêntica
Lançamento: Março/2017

Uma capa muito feliz do time da Editora Autêntica que acertou em cheio na delicadeza desta imagem, muito apropriada para ilustrar alguns contos de Virgínia Woolf, nesta bem cuidada edição bilíngue. Esta edição vem se juntar a outras preciosidades do catálogo da Autêntica com base na obra de Virginia Woolf.

Sinopse da Editora: "Virginia Woolf escreveu poucos contos, muitos deles meros esboços, exercícios, ensaios de escrita. Mas em alguns estão concentradas características de seus romances mais experimentais: a rejeição do realismo literário, o uso de técnicas narrativas pouco ortodoxas, a experimentação com a estrutura e a sintaxe. Em edição bilíngue e com acabamento de luxo, a presente coletânea reúne os melhores desses contos. 'O legado' pertence ao conjunto dos seus contos mais convencionais, mas serve de contraste para melhor apreciação das ousadas técnicas que caracterizam os outros quatro aqui incluídos – “A marca na parede”, 'Objetos sólidos', 'A dama no espelho' e 'Kew Gardens'."

As melhores capas de 2017
Clarice Lispector - A Hora da Estrela (edição especial) - Editora Rocco
Lançamento: Maio/2017

Bem que Clarice Lispector merecia há algum tempo maior atenção da Editora Rocco na área de acabamento gráfico. Todo o acervo da escritora deveria ser relançado com urgência porque as capas são incompatíveis com a obra da escritora. Esta edição especial de "A Hora da Estrela" é uma ótima tentativa de recuperar o tempo perdido.

Sinopse da Editora: "A hora da estrela faz quarenta anos. Nenhum outro livro de Clarice Lispector contribuiu mais para a popularidade da escritora junto ao grande público. Adotada em escolas, vestibulares e universidades, é a obra dela que mais vende e foi levada ao cinema em 1985 com direção de Suzana Amaral. Um pequeno milagre para um volume de pouco mais de 80 páginas, mas que consegue reunir todos os fios de uma escrita única, com a força da linguagem aliando-se a aspectos sociais, ao trágico da vida e, ao mesmo tempo, ao cômico. Uma obra de arte universal que marcou a despedida de Clarice."

Kim Si-Seup - Contos da Tartaruga Dourada - Editora Estação Liberdade
Lançamento: Junho/2017

Já não é novidade o cuidado com as traduções e produções gráficas da editora Estação Liberdade, principalmente com relação à literatura japonesa (acesso ao catálogo completo 2018). Aqui, uma grata surpresa com um raro lançamento da literatura clássica coreana. 

Sinopse da Editora: "O conjunto dos Contos da Tartaruga Dourada, escrito no século 15, é considerado o ponto fundador da prosa coreana. Conectadas por ideias sobre o amor romântico, a interação entre o mundo dos vivos e o dos mortos e comentários sobre política e religião, as histórias forneceram um modelo de romance que seria usado em séculos por vir. O livro, recheado de referências aos clássicos chineses, combina a prosa às poesias e canções, a literatura fantástica à filosofia, a erudição à sensualidade. A qualidade lírica das frases e a descrição sensível dos eventos rendem ao conjunto a sofisticação de um romance. Outro ponto de interesse no estilo narrativo de Kim Si-seup é o sincretismo entre elementos xamânicos, budistas, taoístas e neoconfucionistas."

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Paul Beatty - O Vendido - Editora Todavia
Lançamento: Julho/2017

Mais uma excelente nova editora, a Todavia é formada por ex-editores da Companhia das Letras e promete muito para os próximos anos com a formação de um catálogo que já conta com nomes de peso da literatura contemporânea como Paul Beatty, vencedor do Man Booker Prize 2016.

Sinopse da Editora: "Nascido em Dickens, no subúrbio de Los Angeles, Eu, o narrador de O VENDIDO, passou a maior parte da juventude como cobaia para estudos raciais realizados por seu pai, um polêmico sociólogo. Quando o pai é morto em um tiroteio com a polícia e Dickens desaparece do mapa da Califórnia por motivos políticos e econômicos, Eu se junta a Hominy Jenkins, o mais famoso morador local e o último ator vivo da série “Os Batutinhas”, para tentar salvar a cidade através de um controverso experimento social: reinstaurar a segregação racial em Dickens, marginalizando brancos e negros em um plano que o levará a ser julgado pela Suprema Corte dos Estado Unidos."

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Don DeLillo Zero K - Editora Companhia das Letras
Lançamento: Setembro/2017

Sem dúvida o maior grupo editorial brasileiro da atualidade, a Companhia das Letras não descansa sobre o sucesso e continua arriscando ao diversificar a sua produção em novos selos editoriais e projetos gráficos desafiadores como é o caso deste último lançamento de Don DeLillo. Um projeto arriscado que deu muito certo.

Sinopse da Editora: "Quando, a convite do pai, o jovem Jeffrey Lockhart viaja a uma zona remota do planeta para dizer adeus à madrasta, Artis, debilitada por uma doença degenerativa, ele se depara com algo com que nunca sonhou. Artis está, na verdade, prestes a ser depositada em uma cápsula criogênica, em um imenso complexo médico e tecnológico projetado para armazenar corpos humanos por tempo indeterminado. Exposto a dispositivos insólitos, Jeffrey é forçado então a avaliar suas percepções e crenças. Do distanciamento do pai à morte da mãe, ele se vê diante de uma série de lembranças dolorosas, que parecem determinantes para seu futuro. Enxergando mais longe do que qualquer outro escritor, Don DeLillo parte de uma realidade ainda incipiente — as técnicas de criogenia que prometem nada menos do que a superação da morte — para arquitetar uma narrativa surpreendente, com ares de ficção científica, sobre os mistérios da vida e da morte."

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Elena Ferrante - Frantumaglia - Editora Intrínseca
Lançamento: Setembro/2017

Resenha do Mundo de K para "A Amiga Genial": "O preconceito é mesmo uma coisa terrível e preciso admitir que mantive uma certa má vontade com relação a Elena Ferrante durante um bom tempo. Em parte devido ao estrondoso sucesso de vendas na Itália e em todo o mundo, me fazendo compará-la com outros best sellers do passado que sempre me mostraram o quanto as grandes vendas nem sempre representam uma garantia de qualidade literária. Um pouco também pela duvidosa estratégia de marketing da autora em manter a sua identidade em segredo por meio do pseudônimo Elena Ferrante — existia inclusive na Itália a suspeita de que fosse um homem — concedendo raras entrevistas mediadas por suas editoras. Finalmente, vejam vocês o que é o preconceito, até mesmo o projeto gráfico apelativo das capas de seus romances (no Brasil e em outros países) identificando-o a um público mais juvenil, uma espécie de livro para moças moderno."

Sinopse da Editora: "Nas páginas de Frantumaglia, a própria Elena Ferrante explica sua escolha de permanecer afastada da mídia, permitindo que seus livros tenham vidas autônomas. Defende que é preciso se proteger não só da lógica do mercado, mas também da espetacularização do autor em prol da literatura, e assim partilha pensamentos e preocupações à medida que suas obras são adaptadas para o cinema e para a TV."

As melhores capas de 2017
Octavio Paz - Sor Juana Inés de la Cruz - Editora Ubu
Lançamento: Outubro/2017

Mais uma nova editora brasileira herdeira da tradição da extinta Cosac Naify. A declaração da Ubu no seu site não deixa dúvidas quanto ao compromisso com o projeto gráfico: "Nossos livros existem para serem vividos como experiências íntimas e significativas, pautadas pela qualidade editorial e gráfica. Acreditamos que o design desempenha um papel central na relação do leitor com o conteúdo do livro."

Sinopse da Editora: "Em quatro partes, trinta capítulos e um apêndice, a leitura de Sor Juana Inés de la Cruz ou As armadilhas da Fé nos possibilita observar simultaneamente seja a própria Sor Juana – insuficientemente conhecida no panorama universal da literatura, onde deveria se situar, em sua justa dimensão e complexidade –, seja a sociedade da Nova Espanha, um mundo encoberto pelo barroco espanhol e pelo sacrifício dos povos indígenas, cheio de dogmas e tradições, sincrético e injusto. Escrever um livro sobre uma freira poeta do século XVII não deixa de ser uma homenagem especial às milhares de mulheres que tiveram que calar sua voz nas sociedades espanhola, portuguesa e americana de influência ibérica."

As melhores capas de 2017
Kurt Vonnegut - Cama de Gato - Editora Aleph
Lançamento: Novembro/2017

A editora com o catálogo mais completo de ficção científica no Brasil, incluindo Philip K. Dick, Isaac Asimov e Ursula Le Guin, tem também Kurt Vonnegut em seu catálogo, um escritor imprescindível para entender as loucuras do século XX (ler aqui a resenha deste romance no Mundo de K). A capa tem uma associação com o humor ácido de Vonnegut que só os iniciados poderão entender.

Sinopse da Editora: "A ciência pode mudar o mundo, para o bem ou para o mal. É com isso em mente que um despretensioso escritor começa a trabalhar em um livro sobre um dia que mudou o curso da história: o bombardeio atômico no Japão. O ponto de partida da pesquisa é o próprio inventor da bomba, o falecido cientista Felix Hoenikker, mas, ao tentar descobrir mais sobre essa figura histórica, o escritor acaba se envolvendo com o legado de Hoenikker e com a família do cientista. Seu trabalho o guia então a inusitadas descobertas e reflexões sobre diversos aspectos da sociedade. Enquanto conhece novos personagens e até um desconhecido país caribenho com uma religião banida pelo governo , o protagonista passa por transformações pessoais e por reflexões sobre política, filosofia e religião."

As melhores capas de 2017
Alberto da Cunha Melo - Poesia completa - Editora Record
Lançamento: Dezembro/2017

O poeta pernambucano José Alberto Tavares da Cunha Melo que, apesar de já ter publicado 17 livros e ter sido incluído em 32 antologias, não é conhecido e, principalmente, reconhecido pelo grande público brasileiro como certamente seria se fosse originário do badalado eixo Rio-São Paulo, ganha uma merecida homenagem  (e uma linda capa) com este lançamento da Editora Record.

Sinopse da Editora: "Alberto da Cunha Melo (Jaboatão, PE, 1942 – Recife, PE, 2007) foi poeta, jornalista e sociólogo. Filho e neto de poetas, fez parte do Grupo de Jaboatão, que, conforme o historiador Tadeu Rocha, constitui a nascente da Geração 65 de poetas pernambucanos. Experimentador radical do estilo literário, sem se esquecer da tradição que o sustentou, recuperou a métrica do octossílabo branco, nos poemas da primeira fase, e é responsável pela criação inovadora da “retranca” (onze versos distribuídos em estrofes seguidas de um quarteto, um dístico, um terceto e, finalmente, um novo dístico). O solo que lhe dava a matéria poética não era somente o das suas queridas cidades de Jaboatão, Olinda e Recife, mas o do Brasil como uma nação a ser descoberta. Para ele, a poesia era o veículo perfeito para uma travessia rumo ao imprevisível, dentro de um país que ainda precisa ser decifrado. Em 2001, foi incluído nas antologias Os cem melhores poetas brasileiros do século e 100 anos de poesia: um panorama da poesia brasileira no século XX. No livro Yacala (1999), Alfredo Bosi o coloca à altura dos poetas Jorge de Lima, Carlos Pena Filho e João Cabral de Melo Neto."
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